Quase um século de história termina de uma vez: 807 lojas recebem ordem para fechar e mais de 27 mil trabalhadores veem uma das maiores redes do país desaparecer
Uma rede presente nas principais ruas comerciais não encontrou comprador para continuar operando e teve suas unidades encerradas em etapas.
Em dezembro de 2008, funcionários espalhados por centenas de lojas receberam a confirmação de que uma das marcas mais conhecidas do varejo britânico não continuaria aberta. O fechamento da Woolworths atingiu 807 unidades e colocou cerca de 27 mil trabalhadores das lojas diante do fim da operação.
Como a Woolworths chegou ao fechamento de 807 lojas?
A Woolworths havia entrado em administração no fim de novembro de 2008, depois de não conseguir acertar novos termos de financiamento com seus bancos. Os administradores da Deloitte buscaram interessados, mas não encontraram um comprador disposto a manter toda a rede funcionando como uma única empresa.
Em 17 de dezembro de 2008, os funcionários foram informados de que as lojas seriam encerradas. A decisão atingia uma rede com presença nacional no Reino Unido e que havia se tornado parte habitual das principais ruas comerciais britânicas.

Por que o fim representava quase um século de história?
A primeira loja britânica da Woolworths abriu em Liverpool em 1909. Nas décadas seguintes, a empresa expandiu rapidamente e vendeu desde doces e brinquedos até artigos domésticos, roupas, discos e produtos de uso cotidiano.
Quando a administração foi decretada, a rede estava a poucos meses de completar 100 anos. O encerramento físico no começo de 2009 significou, portanto, o desaparecimento das lojas depois de aproximadamente 99 anos de atividade no mercado britânico.
Os números ajudam a dimensionar o encerramento:
Todas as lojas fecharam no mesmo dia?
Não. Os administradores organizaram o encerramento em ondas para liquidar o estoque e administrar a retirada dos produtos. Cerca de 200 lojas estavam programadas para fechar em 27 de dezembro, seguidas por novos grupos em 30 de dezembro e 2 de janeiro.
O cronograma inicial previa que as últimas unidades fechassem em 5 de janeiro de 2009, mas parte delas continuou por mais um dia. Em 6 de janeiro, as lojas remanescentes encerraram o atendimento, completando o desaparecimento da rede física.
O que aconteceu com mais de 27 mil trabalhadores?
O fechamento colocou em risco aproximadamente 22 mil funcionários permanentes e 5 mil temporários ligados às lojas. Equipes administrativas e de distribuição também já vinham sendo afetadas por cortes desde que a empresa entrou em administração.
Documentos do Parlamento britânico sobre o colapso da Woolworths registraram posteriormente um custo humano de cerca de 27 mil empregos perdidos, além do impacto sobre comunidades que ficaram sem uma de suas tradicionais lojas de rua.
Por que nenhum comprador salvou toda a rede?
Havia interessados em lojas, marcas e outros ativos, mas as negociações não produziram uma proposta capaz de preservar as 807 unidades como uma empresa em funcionamento. O contexto da crise financeira também dificultava conseguir crédito para uma aquisição desse porte.
Parte dos imóveis despertou interesse de outros varejistas, enquanto marcas e ativos poderiam ser vendidos separadamente. Isso permitia recuperar algum valor para credores, mas não mantinha a estrutura que havia conectado centenas de pontos de venda sob o nome Woolworths.
O desaparecimento das lojas significou o fim definitivo da marca?
Não imediatamente. Depois do colapso da rede física, os direitos sobre o nome Woolworths e a marca de roupas infantis Ladybird foram adquiridos pela Shop Direct. O nome sobreviveu durante algum tempo como operação online, mesmo sem as tradicionais lojas nas ruas britânicas.
O episódio de 2008 e 2009 marcou, portanto, o fim de uma instituição do varejo físico, e não simplesmente de um logotipo. Em poucas semanas, 807 lojas deixaram de operar e uma presença iniciada em 1909 desapareceu das ruas, encerrando quase um século de atividade comercial.
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