Putin promove parentes e jovens leais para concentrar poder
Ascensão de prima do ditador e perseguição a dissidentes indicam nova fase de controle pessoal do regime
Vladimir Putin, 73, tem promovido parentes e jovens aliados a cargos estratégicos para garantir a continuidade de seu governo diante da guerra na Ucrânia, da pressão econômica e de desconfiança entre membros do alto escalão.
Analistas veem na estratégia um movimento de sucessão controlada e aumento do poder pessoal do presidente.
A figura mais simbólica dessa reestruturação é Anna Evgenievna Tsivilyova (foto), 52, prima de Putin.
Psiquiatra de formação e sem carreira militar, ela foi escolhida em 2023 para comandar a Fundação Estatal Defensores da Pátria, que dá suporte a veteranos da invasão da Ucrânia.
Um ano depois, foi promovida a vice-ministra e depois a secretária de Estado da Defesa, passando a ser a principal ligação entre o ministério e o parlamento.
Casada com Sergey Tsivilyov, atual ministro da Energia, Anna também preside o conselho do Grupo Kolmar, uma das maiores mineradoras de carvão do país.
Reino Unido e União Europeia impuseram sanções a ela em 2022, alegando que se beneficiou de contratos públicos por sua ligação familiar com o presidente.
Segundo Henry Hale, professor de ciência política na Universidade George Washington, Putin tenta evitar divisões internas ao integrar uma nova geração de leais sob tutela direta.
“Todos ao redor dele começaram a pensar num mundo pós-Putin, então ele reorganizou sua própria elite de modo que não haja linhas claras de ruptura”, disse. John Herbst, ex-embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia, afirmou que o governo russo “caiu em paranoia” diante das disputas internas.
A lembrança da rebelião de 2023, liderada pelo chefe do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, ainda pesa sobre o governo.
Prigozhin marchou com suas tropas em direção à capital antes de recuar e morrer semanas depois em um acidente aéreo controverso. Para Hale, o episódio serviu como aviso à elite: “O incidente foi uma mensagem para não tentar nada. Putin e seu círculo se vigiam de perto”.
No exterior, o cerco a dissidentes também se intensifica.
Em outubro, o Serviço Federal de Segurança abriu processo criminal contra o empresário exilado Mikhail Khodorkovsky e 22 membros do Comitê Antiguerra da Rússia, acusando-os de planejar uma tomada de poder.
O grupo, fundado em 2022, reúne opositores que vivem fora do país e classifica o governo atual como “ilegítimo e criminoso”.
A repressão ocorre enquanto novas sanções ocidentais ampliam o isolamento econômico.
Os Estados Unidos aplicaram restrições às petroleiras Rosneft e Lukoil, responsáveis por quase metade das exportações de petróleo do país.
A União Europeia anunciou o 19º pacote de punições, incluindo a proibição de gás natural liquefeito russo a partir de 2027. O preço do barril subiu 5%, e China e Índia já reduziram compras para evitar penalidades secundárias.
Hale avalia que, apesar das sanções e do envelhecimento do líder, o sistema político continua estável, sustentado pela lealdade pessoal e pela ausência de alternativas visíveis.
“Putin superou o choque inicial da invasão e ainda controla a elite”, afirmou. Mas o equilíbrio depende de uma equação frágil: um círculo cada vez menor, mais jovem e mais dependente de um presidente que envelhece em meio a uma guerra sem prazo de término.
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Comentários (2)
Magdalena Buzolin
28.10.2025 09:27Querem continuar governando depois de morto…
Marian
28.10.2025 09:25Isso ocorre em ditaduras não é?