Protestos contra cortes na Educação deixam feridos no Chile
Estudantes tomam as ruas da capital em rejeição à política de austeridade; restrições à gratuidade no ensino superior ampliam o conflito
Milhares de estudantes ocuparam as ruas de Santiago, Chile, nesta quinta-feira, 26, em protesto contra as medidas de ajuste fiscal do governo de José Antonio Kast. O alvo das manifestações foi o corte de 3% no orçamento dos ministérios, incluindo o da Educação, e a proposta de limitar o acesso gratuito às universidades públicas para candidatos com mais de 30 anos.
A marcha percorreu a avenida Alameda, centro da capital. Em determinados momentos, grupos de manifestantes entraram em confronto com agentes de segurança, que recorreram a canhões d’água para dispersar a multidão. A maioria dos presentes era formada por alunos do ensino médio.
Cortes e temores sobre direitos educacionais
O governo Kast anunciou, ao tomar posse em 11 de março de 2026, uma política de contenção de despesas com o objetivo de reduzir os gastos públicos em aproximadamente US$ 6 bilhões ao longo dos próximos 18 meses. A medida afeta todos os ministérios e levanta dúvidas sobre a viabilidade de manutenção de programas sociais em vigor.
Parte dos manifestantes teme que outras alterações nas políticas educacionais sejam adotadas além das já anunciadas. “Queremos que respeitem os direitos sociais que conquistamos ao longo dos anos”, afirmou Benjamín Traslaviña, estudante de 22 anos, à agência AFP.
Cartazes com a frase “Não merecemos este Kastigo” circularam entre os grupos, em referência ao sobrenome do presidente.
A dimensão pessoal também apareceu nos relatos colhidos durante o ato. “Minha mãe sempre quis estudar, mas não conseguiu. A gente deveria ter essa oportunidade”, disse Sofía Díaz, de 18 anos, presente na manifestação.
Alta nos combustíveis no mesmo dia
Também nesta quinta, os preços da gasolina subiram 30% e os do diesel, 60%, após o governo suspender os subsídios aos combustíveis, decisão que integra o pacote de austeridade em curso.
Enquanto os estudantes marchavam pela Alameda, Kast assinava, no Palácio de La Moneda, a chamada Lei de Emergência Energética. A norma prevê um auxílio de US$ 110 destinado a taxistas e motoristas de transporte escolar como compensação parcial pelo encarecimento dos combustíveis.
Opositores do governo questionam se o nível de corte previsto pode ser alcançado sem comprometer serviços públicos essenciais, entre eles a educação e a saúde. A resposta das ruas nesta quinta-feira indica que a resistência a essas medidas tende a se intensificar nos próximos meses.
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