Promotoria dos EUA pede mais de sete anos de prisão para George Santos
Ex-deputado republicano, expulso do Congresso dos EUA após vários escândalos, pode ser condenado por fraude e roubo de identidade
O ex-deputado republicano George Santos (foto), expulso do Congresso dos Estados Unidos após um mandato repleto de escândalos, pode ser condenado a sete anos e três meses de prisão por fraude e roubo de identidade.
A solicitação foi feita por promotores federais do Brooklyn, em Nova York, na sexta-feira, 4.
Filho de brasileiros, Santos admitiu culpa em duas das 23 acusações criminais que enfrenta, incluindo fraude eletrônica e roubo de identidade qualificado.
Segundo os promotores, Santos montou “uma teia descarada de enganos” para ascender politicamente. Ele teria falsificado nomes de doadores e inflado números de arrecadação para atingir os requisitos do Partido Republicano e disputar uma cadeira no Congresso por Nova York nas eleições de 2022.
Mentiras em série e ascensão meteórica
Durante a campanha, Santos alegou falsamente ter estudado na Universidade de Nova York, trabalhado no Goldman Sachs e no Citigroup, e que seus avós haviam fugido dos nazistas. A farsa foi desmascarada após uma investigação jornalística.
Em agosto do ano passado, ele se declarou culpado e afirmou aceitar a responsabilidade pelas suas ações. “Lamento profundamente minha conduta e o dano causado”, disse após uma audiência.
As acusações federais, apresentadas em maio de 2023, incluem desvio de fundos de campanha para fins pessoais, uso indevido de cartões de crédito de doadores e recebimento indevido de benefícios de desemprego.
Segundo a acusação, entre 2020 e 2022, Santos, com ajuda da ex-tesoureira de campanha Nancy Marks, falsificou registros da Comissão Eleitoral Federal (FEC), inventou doações e inflou números de arrecadação para se qualificar ao programa “Young Guns” do Comitê Nacional Republicano do Congresso (NRCC). Marks também se declarou culpada e aguarda sentença.
Para atingir a meta de US$ 250 mil em arrecadação, Santos teria atribuído doações falsas a familiares, pessoas fictícias e até a identidades roubadas de eleitores idosos. Ele também criou a Redstone Strategies LLC, uma falsa consultoria política que usava para lavar dinheiro de campanha e financiar despesas pessoais.
Fraudes com cartões, doações e até OnlyFans
Em um dos casos, usou o cartão de crédito de uma idosa para cobrar US$ 12 mil, dos quais embolsou US$ 11.580. A mulher, segundo os promotores, sofre de lesão cerebral.
Outros episódios relatados envolvem o uso de cartões de crédito de vítimas para realizar contribuições falsas — algumas em nome de pessoas inexistentes ou sem consentimento —, além de empréstimos fraudulentos.
Em abril de 2022, Santos declarou falsamente ter emprestado US$ 500 mil à própria campanha, o que lhe garantiu prestígio entre lideranças republicanas e acesso a recursos adicionais do partido. O valor, segundo a promotoria, nunca existiu.
No fim de 2022, a fraude veio à tona. Para cobrir o rombo, Santos conseguiu US$ 450 mil com um doador — dinheiro nunca declarado à FEC e tampouco devolvido. Outros US$ 100 mil foram desviados por meio da Redstone.
Uma investigação bipartidária do Comitê de Ética da Câmara revelou que Santos gastou dinheiro de campanha com itens de luxo, procedimentos estéticos e até com a plataforma OnlyFans, conhecida por conteúdo adulto.
A denúncia resultou em sua expulsão da Câmara em dezembro de 2023, tornando-se o sexto deputado da história dos EUA a ser removido do cargo.
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Comentários (1)
Fabio B
05.04.2025 19:19Ele vai fugir pro Brasil e defender a democracia do EUA de cá, igual o Bananinha defende a nossa democracia de lá.