Produtores de cinema são presos na Venezuela
Denúncia foi feita pela ONG JEVA, conhecida por apoiar mulheres criadoras de conteúdo cinematográfico
Quatro jovens venezuelanos, entre eles três produtoras de cinema e um estudante universitário de audiovisual, foram detidos nesta sexta-feira, 31, enquanto trabalhavam na pré-produção de um projeto acadêmico próximo ao Centro Penitenciário de Tocorón, no estado de Aragua, na Venezuela.
A denúncia foi feita pela organização JEVA, conhecida por apoiar mulheres criadoras de conteúdo cinematográfico.
Os detidos foram identificados como Noel Cisneros, Katiuska Castillo Vásquez, Ingrid Briceño Venegas e Marcela Hernández Guerra.
Segundo a ONG SurGentes, eles foram abordados pela custódia do presídio após supostamente tirarem uma fotografia da fachada e permaneceram sob vigilância por cerca de seis horas até a chegada do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), que realizou a prisão.
“Desde 15h45 não se sabe do paradeiro”, informou a JEVA em publicação no Instagram.
A organização exigiu “a libertação imediata” dos detidos e o respeito aos seus direitos humanos, acadêmicos e profissionais, alertando para a vulnerabilidade de jovens criadores na Venezuela.
A detenção ocorre em meio à crescente repressão política no país, sob o comando do ditador Nicolás Maduro.
Segundo o Foro Penal, a Venezuela possui 875 pessoas identificadas como presas políticas, número que inclui detidos por motivos relacionados a manifestações ou oposição ao governo.
Pressão sobre mulheres e imprensa
Nos últimos meses, a perseguição atingiu especialmente mulheres.
O Observatório Venezuelano de Prisões (OVP) informou que cerca de 150 mulheres estão presas por razões políticas, sendo que 30 delas foram detidas arbitrariamente apenas em outubro, em estados como Guárico, Lara, Mérida e Trujillo.
O OVP denuncia que algumas prisões ocorreram sem mandado judicial, com familiares sem informações sobre o paradeiro das detidas.
A liberdade de imprensa também enfrenta perseguição crescente. Na última quinta-feira, o jornalista Joan Camargo desapareceu em Caracas após ser abordado por homens não identificados, segundo o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP).
Caso a detenção se confirme, o número de jornalistas presos no país chegaria a 23.
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