Produção na China cairá a menos de 10%, diz Nike
Empresa reduzirá presença fabril chinesa para menos de 10% até 2026; vendas e lucros em queda pressionam mudança
A Nike confirmou que vai cortar de 16% para “um dígito” o percentua de produtos produzidos na China e vendidos no mercado americano até maio de 2026.
A decisão foi detalhada em teleconferência de resultados e representa um efeito direto da política tarifária do governo Trump, que retomou a cobrança de sobretaxas sobre produtos chineses a partir de abril.
A gigante americana estima que as tarifas adicionam cerca de US$ 1 bilhão por ano aos seus custos.
Para neutralizar esse impacto, a empresa está acelerando uma reformulação global da cadeia de suprimentos e realocando a produção para Vietnã, Indonésia, Índia e Camboja.
O plano faz parte de uma tendência de diversificação geográfica, com foco em polos industriais aliados aos Estados Unidos.
A medida coincide com o agravamento da crise financeira da Nike.
No ano fiscal de 2025, encerrado em 31 de maio, a receita caiu 9%, a US$ 46,3 bilhões, e o lucro líquido encolheu 44%, para US$ 3,2 bilhões.
O recuo mais acentuado foi na China, com queda de 12% na receita local, que somou US$ 6,6 bilhões.
As ações da companhia chegaram a subir até 15% após o anúncio da nova estratégia, em reação à avaliação de que a empresa está se reestruturando para enfrentar um ambiente de custos mais elevados.
A margem bruta da Nike encolheu 1,9 ponto percentual, pressionada por descontos, mudança de canais de venda e estoques acumulados.
O CEO Elliott Hill, que assumiu o comando em outubro, lançou o plano Win Now, focado em três mercados prioritários: Estados Unidos, Reino Unido e China, e cinco cidades principais: Nova York, Los Angeles, Londres, Xangai e Pequim.
O programa prevê modernização das lojas, reforço da marca por meio do esporte e redirecionamento de portfólio, com foco em tênis de corrida como Pegasus e Vomero, substituindo modelos tradicionais como o Air Force 1.
Além disso, a empresa anunciou aumentos seletivos de preços nos Estados Unidos a partir do outono no hemisfério Norte, com o objetivo de preservar margens.
Segundo o diretor financeiro Matthew Friend, a redistribuição produtiva, combinada a repasses de preço e eficiência operacional, permitirá compensar integralmente o impacto tarifário até o fim do ano fiscal de 2026.
A mudança de postura da Nike confirma os efeitos da política de reindustrialização promovida pelo governo Trump.
A redução da dependência chinesa por parte de uma das maiores multinacionais do setor esportivo também pressiona concorrentes como Adidas, Puma e Under Armour, que pleiteiam isenções semelhantes.
A Nike seguirá atuando na China para atender o consumo interno, mas a decisão de reestruturar a produção para o mercado americano simboliza uma vitória da política tarifária de Donald Trump.
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