Procuradora divulga vídeo com detalhes de ataque em jantar com Trump
Gravações mostram atirador estudando o local antes do atentado e ação rápida de agentes de segurança
A Procuradora-Geral do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, divulgou nesta quinta-feira, 30, um vídeo com detalhes da invasão de Cole Allen ao jantar dos Correspondentes da Casa Branca no último sábado, 25.
Nas imagens, o homem aparece caminhando por corredores do hotel onde também estava hospedado, na véspera do ataque. Segundo os procuradores, ele já estaria planejando a ação. Em outro momento, Allen entra na academia do hotel e deixa o local poucos minutos depois.
A gravação então avança para o dia do atentado e mostra Allen entrando em uma sala próxima ao corredor central às 20h36. Segundos depois, ele retorna e corre pelo local, momento em que agentes de segurança abrem fogo.
“Hoje, estamos divulgando o vídeo já fornecido ao Tribunal Distrital dos EUA mostrando Cole Allen atirando em um agente do Serviço Secreto dos EUA durante sua tentativa de assassinar o Presidente no Jantar dos Correspondentes da Casa Branca”, afirma Pirro.
Segundo a procuradora, as imagens também indicam que o suspeito havia estudado o local no dia anterior ao ataque, no Hilton onde o evento foi realizado.
“Não há evidências de que o tiroteio tenha sido resultado de fogo amigo. O vídeo também mostra Allen planejando a área no Hotel Hilton no dia anterior ao ataque. Meu escritório, junto com a continuará esta extensa investigação para levar Cole Allen à justiça”, acrescenta.
Assista ao vídeo:
O ataque
O ataque ocorreu nas imediações do hotel Washington Hilton. O evento reunia autoridades do governo Trump e jornalistas.
Um agente do Serviço Secreto foi atingido, mas o tiro foi contido pelo colete à prova de balas. Ele foi atendido e liberado.
O homem acusado de abrir fogo foi identificado como Cole Thomas Allen, de 31 anos, natural de Torrance, na Califórnia.
Ele foi contido por agentes de segurança nas proximidades de um ponto de triagem antes de alcançar o salão principal do evento.
Manifesto
Allen enviou um manifesto aos familiares minutos antes de abrir fogo nas imediações do evento, na noite de sábado, 25.
No texto, ele se descreve como “Friendly Federal Assassin” (Assassino Federal Amigável, em tradução livre) e indica que pretendia atingir integrantes do governo, segundo informações divulgadas pelo New York Post e outras por outros veículos da imprensa americana.
De acordo com autoridades, a mensagem foi enviada cerca de dez minutos antes do ataque. No texto, Allen detalha possíveis alvos:
“Autoridades do governo (não incluindo [o diretor do FBI Kash] Patel): são alvos, priorizados do mais alto escalão ao mais baixo.”
Em outro trecho, escreve:
“Não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor suje minhas mãos com seus crimes”, em possível referência a Trump.
Ele também afirma que pretendia usar uma munição específica:
“Para minimizar baixas, também usarei cartuchos de chumbo múltiplo em vez de projéteis únicos (menos penetração através de paredes).”
O manifesto indica ainda que ele considerava um ataque maior.
“Eu ainda passaria pela maioria das pessoas aqui para chegar aos alvos se fosse absolutamente necessário (com base em que a maioria escolheu participar de um discurso de um pedófilo, estuprador e traidor, e, portanto, é cúmplice), mas realmente espero que não chegue a isso.”
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Motivações políticas e religosas?
No documento, Allen mistura argumentos políticos e religiosos.
Ao justificar suas ações, escreveu:
“Dar a outra face é para quando você mesmo é o oprimido. Eu não sou a pessoa estuprada em um centro de detenção. Não sou o pescador executado sem julgamento.”
Ele prossegue:
“Não sou uma criança explodida, ou uma criança faminta, ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos neste governo. Dar a outra face quando outra pessoa é oprimida não é comportamento cristão; é cumplicidade com os crimes do opressor.”
Segundo a investigação, Allen viajou de trem de Los Angeles a Washington, passando por Chicago, possivelmente para evitar controles mais rígidos em aeroportos.
Familiares alertaram a polícia após receberem o manifesto, o que levou autoridades locais a acionarem órgãos federais.
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