Procurador-geral da Venezuela acusa Bukele de tráfico de pessoas
"Ele está cometendo o crime de tráfico de pessoas. Está cobrando US$ 7 milhões para prender esses venezuelanos em El Salvador. Ou seja, está fazendo negócios sujos", disse Tarek William Saab
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, acusou, nesta quinta-feira, 24 de abril, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele de estar envolvido em um esquema de tráfico de pessoas, ao cobrar valores significativos para encarcerar imigrantes venezuelanos deportados dos Estados Unidos.
Durante uma entrevista à agência AFP, Saab declarou: “Ele está cometendo o crime de tráfico de pessoas. Está cobrando US$ 7 milhões para prender esses venezuelanos em El Salvador. Ou seja, está fazendo negócios sujos”.
O procurador, conhecido por ser um aliado próximo do governo do ditador Nicolás Maduro, indicou ainda que a Justiça internacional deverá intervir em algum momento contra o presidente salvadorenho.
A declaração de Saab parece ter sido uma retaliação a um comentário feito por Bukele no último domingo, 20, onde o presidente salvadorenho provocou Maduro ao sugerir uma troca entre venezuelanos deportados dos EUA e a mesma quantidade de presos políticos mantidos pelo governo venezuelano.
Tarek William Saab é conhecido por conduzir diversas ações judiciais contra opositores políticos, jornalistas e ativistas na Venezuela.
Após as eleições presidenciais no país, realizadas em julho do ano passado, ele ordenou prisões contra vários líderes antichavistas, incluindo Edmundo González, o candidato da oposição que venceu as eleições, fraudadas por Maduro, e que está atualmente exilado na Espanha.
Bukele e governo Trump
O governo de Bukele tem se mostrado um aliado importante da administração Trump nas políticas anti-imigração.
Desde o início do ano, El Salvador recebeu cerca de 250 imigrantes venezuelanos deportados, que atualmente se encontram detidos em uma grande prisão de segurança máxima no país.
A deportação desses imigrantes foi realizada com base na Lei de Inimigos Estrangeiros, promulgada em 1798 e que permite ao presidente dos EUA deportar “inimigos estrangeiros” sem o devido processo legal em situações de guerra ou invasão.
Essa legislação havia sido utilizada apenas durante eventos históricos específicos, como a Guerra de 1812 e as duas Guerras Mundiais.
De acordo com Trump, o objetivo dessa lei é permitir a detenção e expulsão de indivíduos vinculados a organizações criminosas, incluindo o Tren de Aragua, uma das principais facções venezuelanas reconhecida como terrorista pelos Estados Unidos.
O governo salvadorenho deverá receber US$ 6 milhões por parte dos EUA em compensação por ter acolhido um grupo inicial de 200 detentos venezuelanos.
Bukele comentou sobre essa quantia em fevereiro passado, mencionando que “a taxa é relativamente baixa para os EUA, mas significativa para nós”, embora não tenha especificado valores detalhados.
Todos os deportados eram criminosos?
Bukele sustentou que todos os venezuelanos sob custódia em seu país foram detidos nos Estados Unidos durante operações voltadas para combater gangues como o Tren de Aragua.
Entretanto, familiares dos detidos e organizações defensoras dos direitos humanos alegam que muitos desses indivíduos não têm qualquer ligação com a facção criminosa e foram capturados apenas por possuírem tatuagens.
A Casa Branca enfrenta crescentes desafios legais provenientes de juízes federais, grupos defensores dos direitos humanos e representantes democratas que acusam Trump de infringir direitos constitucionais com sua abordagem rígida sobre deportações.