Presidente da Bolívia diz que protestos tentam “alterar a ordem democrática”
Rodrigo Paz assina lei que autoriza uso de militares após cinco semanas de bloqueios de estradas e regulamenta possível estado de exceção
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, assinou nesta segunda-feira, 8, uma lei que regulamenta a decretação de estado de exceção no país, medida que permite mobilizar forças militares e restringir direitos de reunião e circulação.
A decisão ocorre após mais de um mês de bloqueios de estradas organizados por trabalhadores de diferentes categorias, que paralisam o abastecimento das principais cidades bolivianas e elevam os preços de itens básicos.
Governo responsabiliza Morales
Em cerimônia no palácio do governo, com a presença de ministros e dos altos-comandos militares e policiais, Paz afirmou que grupos ligados ao narcotráfico estão por trás dos protestos: “A segurança se vê em perigo quando o narcoterrorismo, as prioridades de certos setores que não são favoráveis à nossa democracia, priorizam seus interesses”, declarou o presidente.
O governo também acusa o ex-presidente Evo Morales de articular as manifestações e levou a denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que o movimento busca “alterar a ordem democrática”.
Morales, que responde a um processo judicial por tráfico de uma menor — acusação que nega —, definiu os protestos como uma “rebelião” contra um governo “submisso” ao presidente norte-americano Donald Trump.
Segundo informações da AFP, quatro policiais foram baleados em confrontos recentes durante operações para desobstruir vias. Na sexta-feira, 5, e no sábado, 6, forças policiais e militares utilizaram gás lacrimogêneo contra manifestantes em La Paz e em Santa Cruz.
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