Prefeito de Barcelona é impedido de entrar em Israel
Cidade havia suspendido relações institucionais com Israel em maio; Collboni viajaria a Ramallah e Belém
O prefeito de Barcelona, Jaume Collboni (foto), foi impedido de entrar em Israel na sexta-feira, 22, anunciou a agência do governo israelense responsável por gerenciar assuntos relacionados à imigração.
Segundo comunicado, Collboni deveria desembarcar em Israel à noite, mas foi informado de que não teria a entrada permitida. A recusa, segundo a Autoridade de População e Imigração (PIBA) israelense, “está em conformidade com a Lei de Entrada em Israel” e foi coordenada com o Ministério das Relações Exteriores e o Conselho de Segurança Nacional.
De acordo com o site Ynet, o prefeito planejava visitar o museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, além de áreas palestinas da Cisjordânia. O jornal ARA, de Barcelona, afirmou que ele havia sido convidado pelos prefeitos de Belém e Ramallah.
Collboni cortou relações com Israel
Em maio, o conselho municipal de Barcelona decidiu cortar as relações institucionais com o governo israelense e suspender o acordo de amizade com Tel Aviv, acusando Israel de violações ao direito internacional e aos direitos dos palestinos.
Na ocasião, Collboni afirmou que “o sofrimento e a morte em Gaza ao longo do último ano e meio, e os recentes ataques do governo israelense, tornam inviável qualquer relação”.
A decisão se soma a outras medidas recentes de Israel contra autoridades estrangeiras.
Nos últimos meses, o país barrou a entrada de 27 parlamentares franceses de esquerda, além de dois legisladores britânicos que foram interrogados no aeroporto Ben Gurion antes da deportação.
Em fevereiro, duas eurodeputadas de esquerda, Rima Hassan, de origem franco-palestina, e Lynn Boylan, da Irlanda, também tiveram a entrada negada. Em junho, Hassan foi detida e deportada após tentar romper o bloqueio israelense à Faixa de Gaza.
Agenda mantida na Jordânia
Com a proibição, Collboni seguirá neste domingo, 24, para Amã, capital da Jordânia. Lá, visitará instalações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) e terá reunião com o prefeito Youssef al-Shawarbeh.
Segundo a prefeitura de Barcelona, o plano inicial era desembarcar em Tel Aviv e depois visitar Ramallah e Belém. Embora a viagem tivesse sido aprovada, a autorização foi revogada “de última hora e sem qualquer justificativa”.
Em comunicado, a prefeitura afirmou que “longe de dissuadir o governo municipal, a recusa de Israel em permitir a entrada do prefeito em Tel Aviv reforça o compromisso da cidade com os princípios que historicamente guiaram suas ações no campo das relações internacionais”.
O texto acrescenta que “a decisão de impedir o acesso de uma delegação que busca diálogo é um ato hostil” e conclui:
“O governo israelense busca isolar o povo palestino e esconder do mundo as constantes violações de direitos humanos que eles sofrem.”
Israel, por sua vez, justificou a medida dizendo que Collboni teria participado de ações de boicote e difamação contra o país.
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