Por que o mar é salgado se os nossos rios que deságuam nele são de água doce?
O que torna o mar salgado mesmo recebendo água doce
O Rio Amazonas despeja no Atlântico cerca de 209 mil metros cúbicos de água doce por segundo, e mesmo assim o oceano continua salgado. A mesma cena se repete em todos os outros rios do planeta, o ano inteiro, há centenas de milhões de anos. O Serviço Nacional Oceânico e Atmosférico dos Estados Unidos (NOAA) tem uma explicação que envolve química, evaporação e tempo geológico para responder por que toda essa água doce não consegue “adocicar” o mar.
Como o sal chega ao mar pelos rios?
A chuva é levemente ácida porque reage com o dióxido de carbono do ar e forma ácido carbônico. Quando essa chuva cai sobre as rochas, o ácido dissolve pequenas quantidades de sais e minerais, que são carregados pela enxurrada até riachos, rios e, eventualmente, o oceano. A quantidade de sal em cada rio é tão pequena que não dá para sentir no gosto, mas o acúmulo ao longo de milhões de anos é imenso, conforme explica o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Só os rios e córregos que saem dos Estados Unidos jogam no oceano cerca de 225 milhões de toneladas de sólidos dissolvidos por ano. O sal mais comum é o cloreto de sódio, o mesmo do sal de cozinha, que representa mais de 90% de todos os íons dissolvidos na água do mar.

Por que o rio não fica salgado e o mar sim?
A diferença está no que acontece com a água depois. Nos rios, a chuva repõe continuamente a água doce, diluindo os sais antes que se acumulem. No oceano, a água evapora, sobe para a atmosfera e cai como chuva doce de volta nos continentes. O sal não evapora, então fica para trás. Esse ciclo se repete há bilhões de anos e é o motivo pelo qual a concentração de sal no oceano chega a 3,5%, ou seja, cerca de 35 gramas de sal por litro de água do mar.
O mar sempre foi tão salgado quanto hoje?
Não. Segundo o USGS, os oceanos primitivos provavelmente tinham salinidade muito baixa. O sal foi se acumulando ao longo de centenas de milhões de anos, e hoje a concentração está relativamente estável porque a quantidade de sal que entra pelos rios é aproximadamente igual à que sai: parte se deposita no fundo do mar como sedimento, parte é absorvida por organismos marinhos, e parte reage com as rochas do fundo oceânico e é removida da água.
A salinidade também varia de oceano para oceano. A NOAA aponta que o Atlântico Norte é o oceano mais salgado, com média de 37,9 partes por mil. O Mar Vermelho e o Golfo Pérsico chegam a 40 partes por mil, porque a evaporação é muito alta e a entrada de água doce é pequena. Já perto do equador, onde chove muito, a salinidade cai.
| Região | Salinidade média | Principal motivo |
|---|---|---|
| Mar Vermelho e Golfo PérsicoMais salgado do mundo | Até 40 partes por mil | Alta evaporação |
| Atlântico NorteMais salgado entre os grandes oceanos | 37,9 partes por mil | Pouca chuva equatorial |
| Próximo ao equadorMenos salgado | ~35 partes por mil | Muita chuva dilui o sal |
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O que aconteceria se o mar parasse de receber água dos rios?
Com o tempo, a evaporação continuaria concentrando o sal que já está no oceano, tornando a água cada vez mais salgada. Algo parecido acontece com o Mar Morto, que fica entre Israel e Jordânia: ele não tem saída para o oceano e recebe pouca chuva, então sua salinidade chega a 34%, dez vezes mais do que um oceano comum, segundo o Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI). Nenhum peixe consegue sobreviver lá.
O sal do mar vai aumentar para sempre?
Provavelmente não. A salinidade dos oceanos parece estar em equilíbrio há milhões de anos: a quantidade de sal que entra pelos rios e vulcões submarinos é compensada pela quantidade que sai como sedimento e pela absorção de organismos marinhos. O oceano funciona como um sistema que se autorregula, pelo menos na escala de tempo geológico. Para a vida humana, a salinidade do mar é praticamente estável e deve continuar assim por muito tempo.
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