Popularidade de Trump despenca a seis meses de eleição
Guerra no Irã e custo de vida elevado corroem apoio popular e ameaçam controle republicano do Legislativo em novembro
A menos de seis meses das eleições que renovarão o Congresso dos Estados Unidos em novembro de 2026, Donald Trump registra índices próximos aos piores de seu atual mandato.
Dois levantamentos divulgados entre ontem e hoje apontam que a insatisfação popular cresce em múltiplas frentes, da economia ao conflito no Irã, mesmo entre os eleitores que compõem a espinha dorsal do seu apoio político.
Números em queda
Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira, 19, a aprovação de Trump recuou a 35% — apenas um ponto percentual acima do pior resultado já registrado pela série histórica que acompanha o presidente desde o início do mandato.
O contraste com o começo da gestão é significativo: em janeiro de 2025, 47% dos americanos avaliavam positivamente o desempenho do presidente.
O levantamento, realizado com 1.271 adultos em todo o país, também captou movimento de recuo entre os próprios republicanos.
Em maio de 2026, 79% desse grupo dizem que Trump faz um bom trabalho — número menor que os 82% registrados no início do mês e bem abaixo dos 91% de aprovação verificados no começo do mandato.
De acordo com informações do New York Times e do Instituto Siena, divulgadas na segunda-feira, 18, com base em entrevistas realizadas entre os dias 11 e 15 de maio com 1.507 eleitores registrados, a aprovação geral caiu de 40% para 37%, enquanto a reprovação avançou de 56% para 59%.
Irã e custo de vida concentram insatisfação
Segundo o levantamento NYT/Siena, a aprovação de Trump na condução da guerra no Irã e no conflito Israel-Palestina ficou em 31% cada. No campo econômico, 33% aprovam sua gestão, ao passo que apenas 28% consideram satisfatória a forma como o presidente lida com o custo de vida — o pior desempenho entre todas as categorias avaliadas.
Indagado sobre o impacto financeiro do conflito para os americanos, Trump afirmou a jornalistas antes de embarcar para a China: “A única coisa que interessa quando falo de Irã é que eles não podem ter uma arma nuclear. Eu não penso na situação financeira dos americanos. Não penso em ninguém”.
O presidente voltou ao tema na Casa Branca: “Se é popular ou não, eu preciso fazer isso, porque não vou deixar o mundo ser explodido sob a minha supervisão”.
Há risco de impeachment?
O cenário de queda de aprovação chega em momento politicamente sensível. O pleito de novembro de 2026 renovará a totalidade da Câmara e um terço do Senado, e uma eventual derrota expressiva dos aliados de Trump pode encerrar a maioria republicana no Congresso.
Segundo os mesmos levantamentos, 44% dos entrevistados afirmam ter sofrido danos pessoais em razão das medidas adotadas pelo governo — alta de oito pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025.
A perda da maioria legislativa abriria espaço para processos de impeachment, uma possibilidade que o próprio Trump já mencionou a aliados como risco concreto.
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