Polônia elege presidente “trumpista” e crítico à União Europeia
Karol Nawrocki derrota Trzaskowski com 50,9% dos votos e pode vetar reformas de Tusk
Karol Nawrocki, candidato do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS), venceu neste domingo a eleição presidencial na Polônia, com 50,9% dos votos contra 49,1% do prefeito de Varsóvia, Rafał Trzaskowski, ligado ao primeiro-ministro Donald Tusk.
Nawrocki foi apoiado pelo presidente americano Donald Trump, de quem é admirador declarado. O resultado foi confirmado pela Comissão Eleitoral Nacional.
A vitória apertada representa um duro golpe para o governo pró-União Europeia de Tusk, que retorna ao poder após derrotar o PiS nas parlamentares de 2023.
Embora a presidência polonesa concentre poderes limitados, o cargo permite vetar leis e enviar propostas ao Tribunal Constitucional — ainda dominado por indicados do PiS.
Nawrocki, de 42 anos, é historiador e ex-diretor do Instituto da Memória Nacional.
Durante a campanha, defendeu políticas nacionalistas, criticou o ingresso da Ucrânia na OTAN e na União Europeia, e afirmou que a Alemanha deveria pagar reparações pela Segunda Guerra Mundial.
Seu discurso foi marcado por ataques a Trzaskowski e promessas de reverter o programa de reformas judiciais de Tusk.
A participação foi de 71,6%, inferior à registrada nas legislativas de 2023.
O resultado reverteu a tendência das pesquisas e contrariou a primeira boca de urna, que apontava leve vantagem para Trzaskowski.
O atual presidente, Andrzej Duda, também ligado ao PiS, parabenizou Nawrocki nesta manhã.
A vitória foi comemorada por lideranças populistas europeias, como o premiê húngaro Viktor Orbán, que falou em “nova vitória dos patriotas”.
A secretária de segurança interna americana, Kristi Noem, esteve em Varsóvia antes da eleição e chamou Trzaskowski de “desastre absoluto”.
Piotr Buras, do Conselho Europeu de Relações Exteriores, disse que o novo presidente terá como missão “pavimentar o retorno do PiS ao poder” e dificultar a governabilidade do atual primeiro-ministro.
Apesar das incertezas, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse esperar manter “boa cooperação” com a Polônia.
Os mercados reagiram com leve pessimismo: a bolsa de Varsóvia caiu mais de 2% e o zloty perdeu força diante do euro, refletindo preocupações com o futuro da política econômica e da integração europeia do país.
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Comentários (1)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
02.06.2025 09:03Não creio que seja bom negócio para a Polônia ser contra a União Europeia e deixar de apoiar a Ucrânia em sua defesa contra a Rússia. O perigo para qualquer país europeu chama-se Vladimir Putin.