Policial acusado de “traição à pátria” morre em prisão na Venezuela
Edison José Torres Fernández, de 52 anos, foi detido em dezembro por compartilhar mensagens críticas à ditadura
Um policial venezuelano preso em dezembro sob acusações de traição à pátria morreu neste sábado, 10, enquanto permanecia sob custódia do regime, segundo organizações de direitos humanos.
Edison José Torres Fernández (foto), de 52 anos, foi detido em 9 de dezembro de 2025 por compartilhar mensagens críticas à ditadura e ao governador de Portuguesa, estado a cerca de 400 quilômetros de Caracas.
Torres Fernández, com mais de 20 anos de serviço, enfrentava acusações de “traição à pátria e associação criminosa”.
Segundo o Comitê de Familiares pela Liberdade dos Presos Políticos (CLIPP), “até o momento, não há informações oficiais sobre as circunstâncias ou causas de sua morte, nem sobre o atendimento médico que teria recebido enquanto permanecia sob custódia”.
Libertações
Familiares de presos políticos aguardam possíveis libertações anunciadas pelo regime.
Desde 8 de janeiro, apenas 16 pessoas foram liberadas de mais de 800 detidos ilegalmente, segundo a ONG Foro Penal.
O regime interino de Delcy Rodríguez defende as medidas como gesto de “convivência pacífica”, mas críticos apontam que as liberações são insuficientes.
O partido de oposição Primeiro Justiça exigiu “a liberdade imediata, plena e incondicional para TODOS os presos políticos, civis e militares”.
Desde 2014, 18 detidos políticos morreram sob custódia do Estado, de acordo com organizações de direitos humanos.
Leia mais: Oposição venezuelana cobra libertação de todos os presos políticos
Que sejam todos
Diante das libertações a conta-gotas, o Comitê de Direitos Humanos do partido Vente Venezuela lançou nas redes a campanha #QueSeanTodos (Que sejam todos, em português).
“Hoje anunciaram um ‘número significativo’ de libertações. Nossa resposta é clara: eles devem libertar todos”, diz o perfil no X.
Ao mesmo tempo, começaram a circular relatos nas redes sociais sobre a possível soltura de presos políticos conhecidos, embora sem confirmação oficial.
No X, o partido relembrou casos emblemáticos de vítimas do regime chavista.
Entre elas, os policiais metropolitanos Erasmo Bolívar, Luis Molina e Héctor Rovain, presos há mais de 20 anos.
A legenda também citou Emirlendris Benítez, prisioneira política desde 5 de agosto de 2018, atualmente detida no Instituto Nacional de Orientação Feminina (INOF), no estado de Miranda.
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