Plano de defesa contra ameaça dos EUA foi acionado, diz Maduro
Washington iniciou em agosto operação antinarcóticos no Caribe; Caracas vê ação como “ameaça” para pressionar mudança de regime
O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro (foto), afirmou neste sábado, 18, que o plano de defesa nacional foi acionado em todo o país, após a conclusão dos exercícios militares em todos os estados.
A medida integra a chamada operação Independencia 200, considerada por Caracas uma resposta direta à presença militar dos Estados Unidos no mar do Caribe.
“Hoje completamos todas as zonas de defesa integral do país, todos os estados”, disse Maduro em áudio divulgado no Telegram.
O plano de defesa abrange todas as regiões venezuelanas. Segundo Maduro, a ação reforça a “perfeita união nacional” diante das “ameaças” externas.
Durante a semana, outros exercícios foram realizados em áreas fronteiriças com a Colômbia e nos estados de Amazonas, Mérida, Trujillo, Lara e Yaracuy.
Washington iniciou em agosto uma operação antinarcóticos no Caribe, com sete navios de guerra em águas internacionais próximas à Venezuela.
Caracas considera a ação americana uma “ameaça” para pressionar uma “mudança de regime”. Desde então, seis embarcações suspeitas de narcotráfico foram atacadas pelos EUA, resultando em pelo menos 27 mortos.
O regime chavista também assinou um decreto autorizando a declaração de estado de comoção externa, que permite instaurar uma situação de emergência diante de uma possível agressão estrangeira.
Leia também: Derrubar Maduro é justo e necessário. Não há soberania sem legitimidade
EUA irão intervir?
Na última quinta-feira, Diosdado Cabello, ministro da Justiça da Venezuela e braço direito de Maduro, discursou para militares com um facão na mão, durante uma cerimônia em Carayaca, no estado de La Guaira.
Em resposta às recentes ameaças de interferência na Venezuela feitas pelos EUA, ele afirmou que irá combatê-las com as “armas do povo” e, se for necessário, defenderá a pátria “até com os dentes”.
O pronunciamento acontece após Trump autorizar operações da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA em território venezuelano.
“Depois não vale pedir tempo. Porque, quem tenta entrar aqui, sabe que vai enfrentar um camponês com um facão na mão em qualquer lugar, com um fuzil da pátria em qualquer esquina, porque hoje, as armas do povo, as tem o povo. As armas da nação, as tem o nosso povo, para cuidar da pátria, de qualquer inimigo. Se chame como se chame, venha de onde venha”, afirmou o ministro.
Cabello exaltou a soberania da Venezuela e estimulou a população a combater as supostas ameaças externas:
“De Caraca, o povo camponês jura pronto para defender a pátria, a terra e a revolução. Aqui não há medo nem rendição: há dignidade, consciência e amor pela Venezuela”.
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)