Pesquisadores alertam para algas tóxicas na Itália e na Austrália
Além da devastação ambiental, as economias locais dependentes do turismo e da pesca comercial foram afetadas pela proliferação de algas
Nos últimos dias, a onda de calor tem dificultado a vida dos habitantes do sul e sudeste da Europa. Na Itália, cinco mortes já foram registradas em decorrência do calor extremo.
Além disso, as altas temperaturas têm favorecido o surgimento de algas nocivas. Nos anos anteriores, a presença de um lodo marinho de coloração branca-amarelada já havia causado desconforto a muitos turistas na região da Adria. Este ano, o problema se repete.
A responsável pela atual situação é a microalga conhecida como “Ostreopsis ovata”, que se fixa principalmente em rochas e em algas maiores, além de também ser encontrada na coluna d’água.
Esta alga, que possui dimensões variando entre 30 e 60 micrômetros, é invisível a olho nu, mas produz toxinas perigosas.
Fernando Rubino, um pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, afirmou ao jornal “La Stampa” que essas toxinas se dispersam pelo ar devido ao vento, ondas ou próximo à arrebentação das ondas, formando aerossóis que podem ser inalados.
Aqueles que entram em contato com essas toxinas podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, dermatite e inflamações na conjuntiva ou na laringe.
Os sintomas costumam surgir entre duas a seis horas após a exposição e normalmente desaparecem em um ou dois dias sem complicações adicionais. Rubino recomenda evitar áreas costeiras rochosas durante ventos fortes.
No ano passado, a presença desse tipo de lodo marinho foi notada entre a Itália e os países que compunham a antiga Iugoslávia e Albânia. Embora os efeitos à saúde tenham sido limitados ao incômodo visual, era uma espécie diferente de alga.
As autoridades italianas já iniciaram medidas de monitoramento e confirmaram a presença da “Ostreopsis ovata” em diversas regiões do sul da Itália, abrangendo desde Sicília até Lazio e Apúlia.
Cidades como Bari, Mola di Bari, Monopoli, Molfetta e Giovinazzo apresentam concentrações alarmantes dessa alga. Além disso, amostras foram coletadas na região noroeste em Ligúria.
A alga é mais prevalente em praias rochosas e enseadas, sendo raramente encontrada em praias de areia.
De acordo com Rubino, o aumento da temperatura das águas — fenômeno conhecido como “tropicalização” do mar — facilita a proliferação de espécies invasivas como esta. Assim, essa ocorrência deve se tornar cada vez mais comum no futuro.
Algas tóxicas na Austrália
Um imenso Floração de algas tóxicas que atingiram a costa de Sul da Austrália foi declarada um desastre natural pelo premiê estadual, Peter Malinauskas, com o surto tendo efeitos devastadores na biodiversidade marinha e afetando gravemente o turismo local e as indústrias pesqueiras.
A proliferação, identificada pela primeira vez em março, agora se espalhou para um nível ameaçador. 4,500 quilômetros quadrados, ameaçando seriamente o meio ambiente e a economia.
A proliferação de algas nocivas, principalmente resultado da rápida proliferação da alga Karenia mikimotoi, levou à morte em massa de animais no mar.
Mais de 400 espécies marinhas sofreram enormes mortandades devido aos efeitos da proliferação, afirmam autoridades ambientais.
As algas, conhecidas como Karenia mikimotoi, causam caos no ambiente marinho, afetando as guelras dos peixes e até sugando o oxigênio da água à medida que morrem, levando a uma cadeia ecológica de destruição.
Relatórios públicos do iNaturalist mostram 13,850 animais marinhos mortos incluindo tubarões, raias e inúmeros invertebrados, destacando a magnitude deste desastre ambiental.
Além da devastação ambiental, as economias locais dependentes do turismo e da pesca comercial foram afetadas pela proliferação de algas.
Cultivos de ostras e mexilhões foram temporariamente fechados devido a toxinas transmitidas pela águas ligadas às algas, ameaçando a subsistência dos negócios locais que dependem dessas indústrias.
Autoridades ambientais australiana confirmam que a gravidade da proliferação está sendo causada pelo aumento das temperaturas oceânicas associado às mudanças climáticas.
A área está sob o efeito de uma onda de calor marinho desde 2024, com temperaturas do mar em torno de 2.5 graus Celsius acima do normal.
Esse aquecimento sem precedentes também criou ótimas condições para o crescimento excessivo de algas — o que não só piora a proliferação, mas também a prolonga.
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