Pesquisadores acreditam ter resolvido o mistério de uma área de 1,5 km que possui 5.200 buracos
Na Cordilheira dos Andes, no Peru, encontra-se uma fileira enigmática de buracos escavados no solo, que têm intrigado pesquisadores há décadas.
Nas encostas ocidentais da cordilheira dos Andes, no Peru, encontra-se uma fileira enigmática de buracos escavados no solo, que têm intrigado pesquisadores há décadas.
Esses buracos, medindo cerca de dois metros de diâmetro e um metro de profundidade, formam uma linha quase reta que se estende por aproximadamente 1,5 quilômetro.
Desde a publicação das fotografias aéreas pela National Geographic em 1933, a função desses buracos tem sido alvo de inúmeras especulações, variando desde teorias sobre defesas contra inimigos até suposições de que serviriam como reservatórios de água ou áreas de cultivo.
Recentemente, pesquisadores têm avançado na exploração dessas estruturas misteriosas, sugerindo que poderiam ter funcionado como uma espécie de mercado. Essa hipótese remonta a cerca de mil anos atrás, continuando até o declínio do Império Inca, no século XVI.
A localização estratégica dessa linha de buracos, na confluência entre o litoral pacífico e o altiplano, sugere um ponto de encontro para trocas comerciais entre diferentes grupos culturais.
Por que os Incas criariam tais buracos para comércio?
A descoberta recente de pesquisadores evidencia que os buracos poderiam ter servido como locais para a disposição de mercadorias a serem trocadas.
Jacob Bongers, da Universidade de Sydney, participou de um estudo publicado na revista Antiquity, no qual foram encontradas evidências de restos vegetais, como milho e plantas selvagens, conhecidos por serem utilizados na confecção de cestas.
Esses vestígios reforçam a teoria de que os buracos poderiam ter sido postos de troca, facilitando o comércio entre grupos distantes sem a necessidade de um intermediário imediato.
What was the purpose of the iconic Andean monument of Monte Sierpe (aka Band of Holes)? New research supports a new interpretation: it was a barter marketplace, later developing into a monumental system of accounting under #Inca rule.
— 🅰ntiquity Journal (@AntiquityJ) November 10, 2025
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Qual a relação entre os buracos e o sistema de contagem Inca?
Intrigantemente, a área onde os buracos são encontrados também revelou quipus, sistemas de contagem Incas compostos por nós em cordas, usados para registrar dados numéricos como censos ou estoque de recursos.
As semelhanças entre a disposição segmentada dos buracos e a estrutura de um quipu sugerem que esses buracos possam ter servido como um “quipu paisagístico”, um método para organizar e talvez até calcular as trocas econômicas.
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O que representam essas descobertas para a compreensão do comércio no império Inca?
Essas descobertas abrem novas perspectivas sobre as práticas comerciais nas antigas civilizações andinas. A possibilidade de que estruturas aparentemente rudimentares fossem, na verdade, elementos complexos de um sistema de troca sofisticado, desafia a compreensão convencional sobre o comércio pré-colombiano e a capacidade de organização econômica dos Andes.
Estudos futuros podem explorar a origem dessas técnicas e sua evolução ao longo dos séculos, oferecendo uma visão ainda mais detalhada sobre a rica tapeçaria social e cultural das antigas populações andinas.
De forma mais abrangente, esses achados ampliam o entendimento sobre como as antigas sociedades desenvolveram soluções criativas para desafios logísticos, utilizando o conhecimento local e recursos disponíveis de forma eficiente.
Isso não apenas ilumina práticas ancestrais, mas também oferece lições valiosas para o presente e futuras inovações em logística e organização social.
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