Pentágono demite chefe de Inteligência após relatório sobre Irã
Avaliação da Agência de Inteligência de Defesa contrariou a declaração de Trump sobre ataques a bases nucleares iranianas
O Pentágono demitiu o tenente-general Jeffrey Kruse, diretor da Agência de Inteligência de Defesa (DIA, em inglês), de acordo com informações de um alto funcionário da Defesa e um senador. O afastamento ocorreu semanas depois de a agência ter concluído um relatório preliminar que divergia da versão do presidente Donald Trump.
Esse documento sugeria que as operações militares dos Estados Unidos contra bases nucleares iranianas haviam apenas retardado o programa de Teerã em alguns meses, ao contrário da afirmação presidencial de que as instalações foram “aniquiladas”. A medida foi justificada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, como uma “perda de confiança”.
O confronto de narrativas
A avaliação da Agência, divulgada dias após os ataques militares americanos contra três bases nucleares iranianas em junho, ganhou repercussão. Análises da imprensa, como CNN e The New York Times, provocaram uma reação vigorosa da Casa Branca. Nos dias subsequentes, o governo e oficiais de inteligência tentaram apresentar uma narrativa de uma operação mais bem-sucedida contra o Irã. A demissão de Kruse foi previamente divulgada pelo The Washington Post.
O senador Mark Warner, democrata de alta patente no Comitê de Inteligência do Senado, manifestou preocupação com a destituição de Kruse, cuja carreira foi marcada pelo serviço apartidário. Warner ligou diretamente o afastamento à avaliação da agência: “A demissão de mais um alto funcionário de segurança nacional ressalta o perigoso hábito da administração Trump de tratar a inteligência como um teste de lealdade, em vez de como uma salvaguarda para nosso país”. O senador ainda enfatizou que este tipo de análise “honesta e baseada em fatos” é a expectativa para as agências de inteligência, independentemente de alinhar-se à retórica governamental.
Pressões internas e histórico da Agência
Kruse, um veterano da Força Aérea com 34 anos de serviço, é o segundo principal oficial de inteligência militar a ser removido desde o retorno de Trump ao cargo, após a destituição do general Timothy Haugh, chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA). Fontes próximas aos acontecimentos indicam que o tenente-general Kruse era visto como um alvo desde o início da segunda gestão Trump.
Uma inspeção realizada por integrantes da equipe de eficiência governamental de Elon Musk na sede da DIA, ocorrida no início deste ano, identificou a agência como excessivamente grande e com objetivos institucionais pouco claros. Além disso, o governo manifestava insatisfação com o lento avanço da ferramenta MARS, um sistema de gestão de dados de inteligência em desenvolvimento há anos, e desejava sua substituição por soluções comerciais.
Funcionários da Casa Branca notaram que Kruse havia sido nomeado durante a administração Biden, em um movimento que reflete o desejo de substituir líderes militares indicados pelo governo anterior. A Agência de Inteligência de Defesa foi estabelecida para ser o principal centro de inteligência das Forças Armadas, visando centralizar os esforços individuais de cada ramo. O futuro de Kruse na Força Aérea ou uma possível aposentadoria permanecem indefinidos, assim como seu sucessor.
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