Peixe desaparecido há mais de 120 anos volta ao maior rio do país com os primeiros 100 indivíduos de uma operação histórica
O esturjão-do-Atlântico voltou ao maior sistema fluvial da Suécia após permanecer desaparecido de suas águas por mais de um século. O primeiro grupo reuniu 100 jovens criados na Alemanha, marcando o começo de uma operação planejada para durar várias gerações. Qual peixe voltou ao rio depois de mais de 120 anos? A espécie reintroduzida é...
O esturjão-do-Atlântico voltou ao maior sistema fluvial da Suécia após permanecer desaparecido de suas águas por mais de um século. O primeiro grupo reuniu 100 jovens criados na Alemanha, marcando o começo de uma operação planejada para durar várias gerações.
Qual peixe voltou ao rio depois de mais de 120 anos?
A espécie reintroduzida é o esturjão-do-Atlântico, de nome científico Acipenser oxyrinchus oxyrinchus. Os animais foram destinados ao rio Göta, onde exemplares históricos demonstram que a espécie viveu e se reproduziu antes do desaparecimento regional.
O projeto recebeu o nome de Retorno do Esturjão e reuniu organizações de conservação, universidades, pesquisadores e autoridades. A proposta não consiste em manter peixes apenas num trecho isolado, mas reconstruir gradualmente uma população migratória capaz de completar seu ciclo entre rio, estuário e mar.

Por que a espécie desapareceu das águas suecas?
O esturjão permaneceu no sistema do Göta durante milhares de anos, mas sumiu no início do século XX. A pesca intensa retirou adultos reprodutores, enquanto a piora da qualidade da água e outras alterações fluviais reduziram as condições necessárias para alimentação, crescimento e desova.
Antes da soltura, pesquisadores avaliaram o rio e identificaram áreas com alimento e substratos considerados adequados. A melhoria da qualidade da água tornou possível tentar o retorno, embora barragens, navegação, pesca acidental e mudanças nos habitats continuem exigindo acompanhamento.
O contraste entre o desaparecimento e a operação atual fica assim:
Como os primeiros jovens foram preparados para a soltura?
Os 100 esturjões vieram de uma instalação de reprodução localizada em Born auf dem Darß, na costa báltica da Alemanha. Tinham aproximadamente dez meses, cerca de 60 centímetros e peso próximo de um quilograma quando chegaram à região escolhida para a reintrodução.
Antes de nadarem livremente, os peixes passaram por uma adaptação em estruturas instaladas junto ao rio. Cada indivíduo recebeu identificação e transmissor acústico, permitindo que receptores e equipes embarcadas acompanhassem deslocamentos, sobrevivência e escolha de habitats depois da abertura dos compartimentos.
O que aconteceu depois da liberação no rio Göta?
Embora o grupo inicial tivesse 100 indivíduos, os registros do projeto indicam que 95 foram efetivamente soltos no verão de 2024. Em outubro, pesquisadores já haviam localizado 22 deles, incluindo exemplares distribuídos pelo rio, pelo estuário e por áreas costeiras mais distantes.
A Universidade de Gotemburgo registrou que um jovem alcançou a Noruega em poucas semanas. A viagem confirmou rapidamente que os peixes podiam deixar o sistema fluvial, explorar o ambiente marinho e realizar movimentos extensos depois da soltura.
Os primeiros dados de monitoramento mostraram trajetórias diferentes:
Por que a operação não termina com os primeiros 100 peixes?
O esturjão possui crescimento lento, amadurece depois de vários anos e não se reproduz anualmente. Parte dos jovens pode morrer antes de chegar à idade adulta, razão pela qual o programa prevê novas solturas e acompanhamento prolongado para formar diferentes gerações no sistema.
O retorno também depende de o rio continuar oferecendo passagem, alimento, água adequada e locais de desova. A simples presença dos primeiros indivíduos representa um marco, mas uma população somente será estável quando adultos retornarem do mar e produzirem descendentes sem reposição constante.
O programa precisa acompanhar pelo menos cinco pontos:
- Sobrevivência dos jovens durante os primeiros anos.
- Movimentos entre o rio, o estuário e o mar.
- Capturas acidentais e outros riscos provocados por atividades humanas.
- Qualidade da água e conservação dos possíveis locais de desova.
- Retorno futuro de adultos para reprodução natural.
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Como o esturjão pode modificar o ecossistema do maior rio sueco?
O esturjão-atlântico se alimenta de organismos encontrados no fundo e movimenta sedimentos enquanto procura alimento. Esse comportamento pode oxigenar partes do leito, redistribuir nutrientes e criar pequenas alterações aproveitadas por outras espécies aquáticas.
Os responsáveis o tratam como indicador e engenheiro do ecossistema, mas os efeitos precisam ser medidos, não presumidos. O verdadeiro resultado histórico surgirá apenas quando peixes libertados em 2024 completarem a migração, retornarem maduros ao Göta e iniciarem uma nova geração em liberdade.
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