Papagaio que chegou a ter apenas 13 indivíduos selvagens forma duas novas populações e supera 900 animais
Programa de reprodução, proteção de ninhos e solturas reconstruiu a espécie em El Yunque, Río Abajo e Maricao.
O papagaio-de-porto-rico caiu para apenas 13 aves selvagens em 1975, mas a recuperação elevou o total para mais de 900 indivíduos em 2026. O avanço reúne populações livres em três florestas e centenas de animais mantidos para reprodução e futuras solturas.
Qual papagaio voltou a superar 900 indivíduos?
A espécie é o papagaio-de-porto-rico, ou Amazona vittata, ave endêmica do arquipélago caribenho. Uma atualização oficial de fevereiro de 2026 estimou mais de 900 exemplares, somando os grupos selvagens e os mantidos sob cuidados humanos.
O papagaio-de-porto-rico mede cerca de 30 centímetros, possui plumagem verde, testa vermelha e anéis brancos ao redor dos olhos. Também é chamado de iguaca, nome associado ao som produzido pelos bandos em voo.

Como a população caiu para apenas 13 aves?
O desmatamento para agricultura, a perda de árvores antigas e a captura reduziram uma espécie antes distribuída por grande parte de Porto Rico. Em 1975, biólogos registraram somente 13 indivíduos livres, concentrados na floresta de El Yunque.
Furacões, predadores introduzidos e a baixa quantidade de cavidades naturais agravaram o risco. Com poucos casais disponíveis, qualquer morte afetava a diversidade genética e diminuía a capacidade de reposição da população após eventos extremos.
Quais marcos mudaram a trajetória da espécie?
A reprodução em cativeiro criou uma reserva genética e forneceu aves para solturas planejadas. Ninhos artificiais, acompanhamento veterinário, controle de predadores e treinamento prévio aumentaram as chances de sobrevivência dos animais devolvidos às florestas.
O programa oficial de recuperação estabeleceu um segundo grupo em Río Abajo e retomou a formação de uma terceira população em Maricao. Os dois núcleos ampliaram a distribuição além do reduto histórico de El Yunque.
A sequência de recuperação reúne quatro mudanças decisivas:
O que sustenta as populações reintroduzidas?
As aves jovens passam por recintos de voo, recebem alimentos encontrados na natureza e aprendem a reconhecer ameaças. Após a soltura, equipes acompanham deslocamentos, reprodução, mortalidade e uso de cavidades para ajustar cada etapa do manejo.
A existência de três núcleos reduz o risco de uma única tempestade atingir toda a espécie. Ainda assim, cada floresta depende de proteção contínua, porque furacões fortes podem eliminar rapidamente anos de crescimento populacional.
Entre as ações mantidas pelos centros de conservação estão:
- seleção genética de casais reprodutores;
- proteção e monitoramento de ninhos ativos;
- criação de filhotes para novas solturas;
- controle de predadores próximos às áreas de reprodução.
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Por que a recuperação ainda não está concluída?
O total superior a 900 inclui muitos indivíduos mantidos em aviários, portanto não representa uma população inteiramente autossustentável. A espécie continua classificada como ameaçada, e os grupos livres ainda precisam crescer e reproduzir-se com menor intervenção humana.
O objetivo de longo prazo é consolidar populações selvagens resistentes, conectadas quando possível e protegidas por habitat suficiente. O avanço desde 13 aves demonstra a eficácia do manejo, mas a estabilidade dependerá de décadas de acompanhamento, solturas e prevenção de novas perdas.
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