Papa Leão XIV faz apelo pela paz e cita conflitos na Ucrânia, Gaza e Caxemira
Em sua primeira oração dominical, pontífice lembrou os 80 anos do fim da Segunda Guerra e pediu aos líderes: “Nunca mais a guerra”
Em sua primeira aparição pública para um momento litúrgico, o papa Leão XIV (foto) fez um apelo neste domingo, 11, pela paz mundial. Diante de cerca de 200 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro, o novo pontífice citou nominalmente os conflitos na Ucrânia, na Faixa de Gaza e na Caxemira, região disputada por Índia e Paquistão.
“Trago no meu coração o sofrimento do amado povo ucraniano. Que se faça tudo aquilo que for possível para alcançar o mais rápido possível uma paz autêntica, justa e duradoura. Que sejam libertados todos os prisioneiros e que as crianças possam retornar às próprias famílias”, disse o papa.
O pontífice também expressou tristeza pela violência em Gaza e pediu um cessar-fogo imediato, com a libertação de reféns e o envio de ajuda humanitária à população civil. Sobre o recente anúncio de trégua entre Índia e Paquistão, afirmou:
“Espero que através das próximas negociações se possa alcançar rapidamente um acordo duradouro. Confio à Rainha da Paz este forte apelo para que seja ela que apresente ao Senhor Jesus, para que alcancemos o milagre da paz.”
Leão XIV também cumprimentou delegações internacionais, saudou o Dia das Mães e fez um chamado especial aos jovens, pedindo que não tenham medo de seguir vocações religiosas.
“A Igreja precisa muito disso, e é importante que jovens encontrem em nossas comunidades acolhimento, escuta e encorajamento em seus caminhos vocacionais”, disse. “Aos jovens, digo: ‘Não tenham medo! Aceitem o convite da Igreja e de Cristo!’”.
Leão XIV ainda recordou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, reforçando o apelo de seu antecessor:
“Aos grandes do mundo: ‘Nunca mais a guerra!’”.
Compromisso com causas sociais
Em discurso no sábado, o pontífice explicou que escolheu o nome Leão XIV em homenagem a Leão XIII, papa entre 1878 e 1903, conhecido por fundar a Doutrina Social da Igreja e defender os direitos dos trabalhadores durante a Revolução Industrial.
“A principal razão é porque o Papa Leão XIII, com a histórica encíclica Rerum novarum, abordou a questão social no contexto da primeira grande Revolução Industrial. E, hoje, a Igreja oferece a todos a riqueza de sua doutrina social para responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial”, afirmou em discurso a cardeais.
A Santa Sé também divulgou o brasão e a assinatura oficiais de Leão XIV. Segundo comunicado, os símbolos refletem suas origens agostinianas e seu compromisso com a unidade e a comunhão dentro da Igreja.
Homenagens a Francisco
Desde a eleição, Leão XIV tem prestado tributos ao papa Francisco, a quem se refere como exemplo de sobriedade e serviço. Na sexta-feira, 9, celebrou missa com os cardeais na Capela Sistina. No sábado, participou da primeira audiência com o Colégio Cardinalício e fez uma visita ao túmulo do antecessor, que pediu para ser enterrado fora do Vaticano, na Basílica de Santa Maria Maggiore.
Já na manhã deste domingo, o papa celebrou missa nas Grutas do Vaticano, no altar próximo ao túmulo de São Pedro, ao lado do prior geral da Ordem de Santo Agostinho. Em seguida, orou diante das sepulturas de papas como Pio XII e Bento XVI.
Leão XIV ainda fez uma visita surpresa ao Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano, onde abençoou fiéis reunidos na praça em frente à igreja.
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