“Palavras não são violência. Violência é violência”, diz governador de Utah sobre morte de Charlie Kirk
Spencer Cox reage a críticas em entrevista ao The Free Press e pede mudança na cultura política
O assassinato do ativista conservador Charlie Kirk dentro do campus da Utah Valley University, em Orem, levou o governador de Utah, Spencer Cox, a pedir uma resposta que rejeite a radicalização.
Em entrevista ao portal The Free Press, após a prisão do suspeito Tyler Robinson, 22 anos, ele afirmou: “Palavras não são violência. Violência é violência. E há uma pessoa responsável pelo que aconteceu, que já está preso”.
Segundo a Promotoria do condado de Utah, Robinson foi denunciado por homicídio qualificado e outros crimes, e o órgão pretende pedir a pena de morte.
Cox disse que buscava falar principalmente aos jovens: “Vocês estão herdando um país onde a política parece ser só raiva. A oportunidade da sua geração é construir uma cultura diferente, não ignorando as diferenças, mas abraçando-as e tendo conversas difíceis”.
Para ele, o caso de Kirk foi um “assassinato político” que exige “clareza moral” na resposta pública.
As declarações dividiram opiniões.
Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, chamou o governador de “vergonha nacional” e afirmou em seu programa que Cox deveria ser investigado, insinuando ligação entre a família do suspeito e a política estadual sobre antidepressivos.
Por outro lado, progressistas criticaram a frase em que Cox disse ter rezado para que o atirador não fosse “um de nós”. À reportagem, ele explicou que se referia a moradores de Utah, e não a questões raciais.
O governador tem procurado associar sua trajetória ao incentivo do diálogo civil. Em 2023, quando presidia a Associação Nacional de Governadores, lançou a iniciativa Disagree Better, para estimular debates respeitosos.
Já neste ano, sancionou leis que obrigam redes sociais a verificar a idade de usuários e a restringir publicidade para menores. Na entrevista, comparou o poder das plataformas digitais ao vício em drogas: “Os algoritmos estão roubando nossa identidade, nossa alma, nosso livre-arbítrio”.
Cox afirmou ainda que o país vive um processo de fragmentação social que alimenta o extremismo. Citando o cientista político Robert Putnam, disse: “Estamos mais solitários do que nunca, com menos amigos reais e menos vínculos de vizinhança, buscando tribalismo de forma doentia”.
Apesar de ter apoiado Trump após a tentativa de assassinato contra o ex-presidente em 2024, Cox reiterou ao The Free Press que mantém divergências com a Casa Branca.
Ele declarou que não pretende disputar novo mandato em 2028, embora a legislação estadual permita.
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