ONU classifica transmissão de fuzilamento nos EUA como “tortura”
Secretário de Guerra anunciou que execução por fuzilamento será transmitida ao vivo
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou nesta sexta-feira, 9, que considera “tortura” a decisão anunciada pelo governo americano de transmitir ao vivo o fuzilamento de Nidal Hasan, condenado por matar 13 pessoas em um ataque a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
O anúncio foi feito na quinta-feira, 8, pelo secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth (foto).
“Como o Alto Comissariado ressaltou em reação às execuções públicas no Afeganistão e no Irã, as execuções públicas constituem uma forma de tratamento ou pena cruel, desumano e degradante”, afirmou o escritório do Alto Comissariado em mensagem enviada à AFP.
“A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura”, acrescentou o órgão.
A execução será a primeira realizada pelas Forças Armadas americanas desde 1961 e a primeira conduzida por um pelotão de fuzilamento desde a Segunda Guerra Mundial.
A ONU afirma que, segundo o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, “a proibição absoluta da tortura proíbe as execuções públicas”.
Segundo o órgão, o descumprimento dessa norma tornaria a execução “arbitrária” e “representaria uma violação do direito à vida”.
Nidal Hasan
Nidal Hasan foi condenado por matar 13 pessoas em um ataque a tiros na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
A aplicação da pena está marcada para 3 de dezembro e será realizada por um pelotão de fuzilamento.
Em entrevista ao canal de TV Real America’s Voice, Hegseth afirmou que o exército vai garantir que as pessoas possam acompanhar a execução.
O secretário afirma que a exposição pública serviria para mostrar que crimes deste tipo têm consequências graves nos EUA.
A última execução pública no país ocorreu em 1936, no Kentucky. Na ocasião, Rainey Bethea, um homem negro condenado por estuprar uma mulher branca, foi enforcado diante de uma multidão.
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