ONG cubana denuncia “atos repressivos” contra opositores no Dia do Trabalhador
Cubalex relatou "ameaças diretas, cortes de comunicação e coerção trabalhista" contra ativistas
A ONG Cubalex denunciou nesta sexta-feira, 2, uma série de “atos repressivos” contra 21 membros da sociedade civil cubana durante o o ato do Dia do Trabalhador, em Havana, que contou com a elogios do líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), João Pedro Stedile.
Segundo um relatório da organização, foram registradas operações policiais que impediram a livre circulação de ativistas e opositores do regime de Miguel Díaz-Canel.
“Ameaças diretas, cortes de comunicação e coerção trabalhista”, diz trecho.
Além disso, a Cubalex afirmou que 18 pessoas estavam sob vigilância em prisão domiciliar. Outras 12 estavam ameaçadas de prisão ou até mesmo agressão física.
“O Cubalex documentou operações de vigilância policial destinadas principalmente a impedi-los de sair de suas casas, bem como ameaças e cortes seletivos de serviços de comunicação.”
“A distribuição territorial e a simultaneidade desses eventos demonstram uma repressão coordenada em nível nacional, baseada em táticas de assédio, coerção e censura , com o objetivo de silenciar a dissidência e restringir direitos fundamentais como a liberdade de expressão, reunião e movimento”, continua.
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Ato político
Ao lado de Raúl Castro (foto), irmão de Fidel Castro, o ditador Díaz-Canel compareceu ao ato de 1º de Maio com um lenço inspirado no keffiyeh palestino, com padrão ‘rede de peixe’ e a bandeira palestina nas pontas.
Embora seja utilizado no Oriente Médio desde a Antiguidade, o keffiyeh palestino tem sido comumente utilizado como um símbolo de protesto contra Israel e de apoio ao Hamas.
Ao convocar os cubanos para o ato em 29 de abril, o ditador já havia ecoado o grupo terrorista ao falar em “genocídio”.
“Vamos marchar em primeiro lugar mostrando a força da unidade. Pela nossa independência e pelos nossos sonhos de justiça. Contra o bloqueio e contra o retorno do fascismo. Contra o genocídio em Gaza e contra os genocídios silenciosos causados pelo mar de injustiças que ameaçam nossa espécie.”
Miguel Díaz-Canel reverbera o antissemitismo de esquerda da região.
“Trata-se de uma postura que não leva em conta a humanidade das vítimas quando elas são judias e, nesse sentido, podem ser caracterizadas como antissemitas”, disse o advogado brasileiro Fernando Lottenberg, comissário da Organização dos Estados Americanos, a OEA, para monitoramento e combate ao antissemitismo a Crusoé.
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