ONG aponta alta nas execuções na Coreia do Norte por divulgação de cultura estrangeira
Relatório diz que regime ampliou uso da pena de morte para reprimir influência externa
Um relatório da ONG Transnational Justice Working Group (TJWG) aponta um aumento significativo nas execuções na Coreia do Norte por crimes ligados ao acesso e à divulgação de cultura estrangeira, religião e práticas classificadas como “superstição”.
De acordo com o documento divulgado pelo jornal alemão Deutsche Welle, 153 pessoas foram condenadas à morte entre janeiro de 2020 e meados de dezembro de 2024, um salto de quase 250% em relação ao período anterior
O crescimento é ainda mais acentuado nos casos relacionados à cultura e à religião, incluindo a posse de uma Bíblia: 38 pessoas foram condenadas por esses motivos em menos de cinco anos, contra sete no intervalo anterior.
Segundo os ativistas, antes do fechamento das fronteiras, o homicídio era o crime mais frequentemente punido com a morte.
Nos últimos anos, contudo, o foco do regime mudou para infrações envolvendo conteúdo estrangeiro, como filmes, séries e músicas sul-coreanas, além de acusações ligadas à religião.
Especialistas avaliam que essa mudança reflete uma disposição crescente do regime de Kim Jong-un em usar força letal para garantir lealdade e reprimir qualquer sinal de dissidência. Apesar da repressão, conteúdos estrangeiros continuam a circular no país.
“O número de pessoas que realmente acreditam no regime está diminuindo drasticamente. Em vez de doutrinação ideológica, a violência está se tornando a principal ferramenta do governo”, aponta o relatório.
Em contraste com o cenário atual, o próprio ditador Kim já demonstrou, no passado, certa abertura simbólica à cultura sul-coreana, ao comparecer a um show de artistas do país vizinho em 2018.
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