OMS planeja corte de 21% no orçamento após saída dos EUA
Ao reassumir a presidência dos EUA, Donald Trump formalizou a retirada do país da organização e cortou financiamento
A Organização Mundial da Saúde (OMS) planeja reduzir sua força de trabalho e o alcance de suas atividades com um corte de 21% no orçamento, reflexo da retirada do financiamento dos Estados Unidos. A informação consta em um memorando interno obtido pela Reuters.
Os EUA eram o maior doador da agência da ONU, contribuindo com cerca de US$ 550 milhões anuais, o equivalente a 18% do financiamento total da OMS.
Ao reassumir a presidência dos EUA em janeiro, Donald Trump formalizou a saída do país da organização, alegando falhas no enfrentamento da pandemia de Covid e influência política inadequada dentro da entidade.
A decisão agravou a crise financeira da OMS, que já enfrentava a redução de investimentos de outros países. Com um déficit estimado em US$ 600 milhões neste ano, a agência propôs cortar seu orçamento para 2026-27 de US$ 5,3 bilhões para US$ 4,2 bilhões.
“Apesar de nossos melhores esforços, estamos agora em um ponto em que não temos escolha a não ser reduzir a escala de nosso trabalho e força de trabalho”, diz o memorando assinado pelo diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A OMS estuda eliminar cargos de liderança em sua sede em Genebra e pretende definir suas prioridades até o fim de abril. Documentos internos obtidos pela Reuters indicam que um quarto dos 9.473 funcionários da organização trabalha na cidade suíça.
Outro memorando, datado de 10 de março, revela que a entidade já impôs um limite de um ano para contratos e busca ampliar recursos junto a países, doadores privados e filantropos.
O decreto assinado por Trump estabelece que os EUA deixarão oficialmente a OMS em 12 meses, interrompendo todas as contribuições financeiras. O orçamento bienal da agência para 2024-2025 é de US$ 6,8 bilhões. Depois dos EUA, os maiores doadores são a Fundação Bill & Melinda Gates, o grupo global de vacinas Gavi, a Comissão Europeia e o Banco Mundial. Entre os países, a Alemanha é a segunda maior financiadora, com 3% do orçamento da OMS.
A saída dos EUA não surpreende. Em 2020, Trump já havia iniciado o processo de retirada, acusando a organização de ajudar a China a ocultar informações sobre a Covid.
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