OMS decreta emergência internacional por surto de ebola na África
Cepa rara provoca mortes no Congo e em Uganda; não há vacina disponível para a variante
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste domingo, 17, uma emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola causado pela cepa rara Bundibugyo, que atinge a República Democrática do Congo e Uganda.
A medida representa o mais alto nível de alerta sanitário global.
Em comunicado divulgado em Genebra, a OMS afirmou que “a doença do ebola causada pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda constitui uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (Espii)”.
O órgão afirmou, porém, que o surto “não atende aos critérios” para ser classificado como pandemia.
Mortes
O surto já provocou dezenas de mortes na República Democrática do Congo e ao menos um óbito em Uganda. Até agora, foram confirmados casos em laboratório, além de centenas de suspeitas, especialmente na província de Ituri, no leste do Congo.
A região enfrenta dificuldades de acesso e deslocamento populacional, o que complica o controle da doença e limita a confirmação de diagnósticos.
Parte dos registros ainda depende de casos suspeitos, devido ao baixo número de amostras analisadas.
O ebola, que causa febre hemorrágica altamente contagiosa, é transmitido por fluidos corporais ou contato com sangue de pessoas infectadas.
O período de incubação pode chegar a 21 dias, e a transmissão ocorre apenas após o início dos sintomas.
A OMS destacou que não há vacina disponível para a cepa Bundibugyo. Vacinas existentes são eficazes apenas contra outras variantes, como a Zaire, responsável por grandes epidemias anteriores na região.
Este é o 17º surto de ebola registrado na República Democrática do Congo desde a descoberta da doença em 1976.
O país já enfrentou epidemias graves, incluindo uma entre 2018 e 2020 que deixou milhares de mortos em toda a região africana.
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