Obra em uma ponte moderna revela estacas de uma travessia romana desaparecida há 1.600 anos e procurada por gerações
Estradas antigas terminavam nas duas margens do Aare, mas faltava uma evidência capaz de demonstrar como os viajantes cruzavam o rio.
Uma fileira de estacas revelou a ponte romana que arqueólogos procuravam havia gerações sob o rio Aare, na Suíça. Encontradas durante obras em uma travessia ferroviária moderna, as peças confirmam uma ligação do século IV entre rotas vindas da Itália e a fronteira do Reno.
Como a obra moderna revelou a ponte romana?
A descoberta ocorreu durante a reforma da ponte ferroviária Wengi, em Soleura. Como a intervenção alcançaria o leito do Aare, mergulhadores especializados em arqueologia examinaram a área e localizaram estacas de madeira pouco acima da estrutura moderna.
Os pesquisadores já conheciam trechos da estrada romana nas duas margens, mas faltava uma evidência física da travessia. A posição das madeiras finalmente preencheu o espaço entre os caminhos antigos e confirmou uma hipótese repetida por diferentes gerações de estudiosos.

De quando são as estacas encontradas no rio Aare?
As amostras foram submetidas à datação por radiocarbono e atribuídas ao século IV, no período romano tardio. Isso coloca a estrutura aproximadamente entre 1.600 e 1.700 anos atrás, quando a antiga Salodurum passava por mudanças militares e urbanas.
As estacas possuem cerca de 1,8 metro e formam uma linha paralela ao curso do rio, aproximadamente 10 metros distante da margem sul. Arqueólogos interpretam o conjunto como parte dos apoios que sustentavam a superestrutura e a pista da ponte.
As evidências combinam posição, material e cronologia:
Qual rota passava pela travessia desaparecida?
A ponte integrava um corredor que ligava o norte da Itália à fronteira germânica do Império Romano. Viajantes atravessavam o passo do Grande São Bernardo, o Planalto Suíço e a região do Jura antes de seguir em direção ao Reno.
A atual Soleura ocupava um ponto estratégico onde o Aare se estreita. A antiga cidade fortificada de Salodurum controlava a passagem, conectava estradas terrestres e auxiliava o deslocamento de pessoas, mercadorias e forças militares.
O corredor romano pode ser resumido nestes pontos:
Por que a ponte permaneceu escondida por tanto tempo?
A madeira ficou enterrada sob sedimentos e água, enquanto mudanças no leito dificultaram sua localização. Uma intervenção realizada em 1969 aprofundou trechos do rio, mas os pilares antigos escaparam porque estavam próximos demais da ponte moderna para a dragagem alcançar.
A coincidência preservou aquilo que outras obras poderiam ter destruído. A investigação sobre a ponte romana indica que as estacas permanecerão submersas, ambiente que reduz sua deterioração e permite novas pesquisas sem retirar imediatamente o material.
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O que ainda poderá ser encontrado no fundo do Aare?
Novas campanhas podem localizar outras fileiras de pilares, partes da cabeceira ou elementos ligados à pista. A área conhecida até agora representa apenas uma parcela da travessia, por isso o desenho completo e as dimensões exatas continuam em investigação.
A descoberta transformou uma reconstrução histórica em evidência arqueológica direta. Ao conectar estradas já documentadas nas margens, as madeiras mostram onde uma infraestrutura romana atravessava o rio e ajudam a explicar a importância regional de Salodurum.
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