“O tempo de Maduro acabou”, diz María Corina Machado
Líder da oposição na Venezuela e vencedora do Nobel da Paz defende transição imediata e pede às Forças Armadas apoio à mudança política
María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela, declarou que o regime de Nicolás Maduro enfrenta “suas últimas horas”. Em entrevista concedida nesta quinta-feira, 27, a laureada com o Prêmio Nobel da Paz fez um apelo direto para que Maduro “facilite” o processo de transição política. María Corina defende que a mudança teve início quando mais de 70% dos venezuelanos expressaram o desejo de alteração no cenário político.
A política, que atua na clandestinidade desde o pleito, garantiu que a Venezuela está pronta para “recuperar a liberdade”, e afirmou que, uma vez concretizada, a liberdade venezuelana espalhará “ondas de liberdade e estabilidade para toda a região”, alcançando Cuba e Nicarágua.
Tensão aumenta com pressão externa
Machado reiterou a convicção de que “o tempo se acabou” para o ditador Maduro. Sua percepção é que o regime foi exposto em sua natureza criminosa e narcoterrorista perante a comunidade internacional.
A pressão sobre o governo chavista ocorre em um contexto de aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe. O aumento do poder de fogo americano foi ordenado pelo governo Donald Trump para combater o narcotráfico.
Apesar da tensão, Trump não descartou a possibilidade de diálogo com Maduro, mas deixou claro que seu país pode agir “por bem” ou “por mal” para deter o tráfico de drogas. Machado preferiu não comentar sobre as dinâmicas cotidianas da pressão de Washington.
Denúncias de violações e opressão
A líder da oposição denunciou que, mesmo no que considera as o fim do regime, centenas de indivíduos permanecem presos por motivos políticos. Estes detidos, incluindo menores de idade, são submetidos a “torturas brutais” nos centros de reclusão.
Ela mencionou casos recentes de apreensões e desaparecimentos ocorridos em novembro, como o de Samantha Hernández, uma adolescente de dezesseis anos. A jovem foi levada com a irmã mais velha, de dezenove, porque o regime procurava o irmão, um militar dissidente que deixou o país. Machado também destacou a situação nas prisões, citando a tentativa de suicídio de Juan David Gutiérrez, de vinte e um anos, na prisão de Tocorón, que classificou como um centro de tortura atroz.
Em resposta à repressão, a opositora conclamou as Forças Armadas a se posicionarem “ao lado do povo”. Ela alertou que os militares e policiais são hoje os setores da população mais monitorados e perseguidos, pois o regime “tem pavor deles”. Machado exigiu que os membros das forças de segurança se alinhem à verdade e à Constituição, inclusive pelo próprio bem deles.
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