O pequeno aparelho doméstico que vai para o lixo e contém ouro de 22 quilates
Pesquisa recuperou uma pepita de alta pureza usando placas-mãe antigas e uma esponja produzida com proteína do soro de leite.
Um computador descartado pode alimentar a recuperação de ouro de 22 quilates, mas o metal não aparece como uma pepita pronta dentro do aparelho. Pesquisadores obtiveram 450 miligramas após processar componentes de 20 placas-mãe antigas.
Qual aparelho contém ouro de 22 quilates?
O aparelho citado é o computador descartado, especialmente sua placa-mãe, onde pequenas quantidades de ouro integram contatos, conectores e componentes eletrônicos. O metal resiste à corrosão e conduz sinais com estabilidade, características úteis em circuitos delicados.
O dado exige uma ressalva: uma única máquina não forneceu a pepita descrita. O experimento da ETH Zurich reuniu partes metálicas retiradas de 20 placas-mãe antigas para chegar ao resultado divulgado.

Onde o ouro fica dentro do computador?
O ouro aparece em camadas muito finas sobre conectores, pinos, contatos e áreas que precisam transmitir corrente sem oxidar rapidamente. Ele divide espaço com cobre, níquel, estanho e outros materiais presentes nas placas eletrônicas.
Essas quantidades parecem pequenas por unidade, mas ganham importância quando milhares de equipamentos chegam à reciclagem. O resíduo eletrônico concentra metais valiosos e também substâncias que exigem coleta, separação e tratamento especializados.
Os principais materiais seguem destinos diferentes:
- ouro em contatos e revestimentos condutores de alta confiabilidade;
- cobre em trilhas, cabos e bobinas de alimentação elétrica;
- alumínio em dissipadores e estruturas leves para controle térmico;
- plásticos e vidro em carcaças e componentes que precisam de triagem.
Como os cientistas recuperaram o metal?
Os pesquisadores dissolveram as partes metálicas em banho ácido para transformar os metais em íons. Depois, mergulharam na solução uma esponja feita com nanofibrilas de proteína derivadas do soro de leite.
Os íons de ouro aderiram com maior eficiência às fibras. A esponja foi aquecida, formando partículas metálicas que depois foram fundidas em uma pepita de 450 miligramas, composta por 91% de ouro e 9% de cobre.
O ensaio pode ser resumido em quatro relações:
O método pode virar negócio sustentável?
Os cálculos apresentados pela equipe indicaram que os custos de matéria-prima e energia ficaram cerca de 50 vezes abaixo do valor do ouro recuperado. Essa relação aponta viabilidade econômica, mas ainda depende de escala, logística e controle industrial.
A tecnologia também aproveita dois resíduos: equipamentos eletrônicos descartados e soro de leite da indústria alimentícia. A próxima etapa é adaptar o processo ao mercado e testar outras fontes, como rejeitos de fabricação de microchips e de douração.
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Vale desmontar aparelhos em casa?
Não. O processo científico utiliza ácidos, aquecimento e controle de materiais potencialmente tóxicos. Tentar repetir a extração sem infraestrutura adequada pode provocar queimaduras, vapores perigosos, contaminação ambiental e perda dos próprios metais.
O caminho seguro é entregar computadores, celulares e placas a pontos de coleta ou recicladores licenciados. O valor está no processamento de grandes volumes, não em uma pepita escondida dentro de cada aparelho doméstico descartado.
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