“O Mágico do Kremlin” estreia no Festival de Cinema de Veneza
O filme é baseado no romance de Giuliano da Empoli, publicado em mais de 30 países
O filme “O Mágico do Kremlin” oferece uma visão sobre a figura atual que rege a Rússia, sendo narrado sob a ótica de um conselheiro fictício. Com grande expectativa, a produção estreou durante o Festival de Cinema de Veneza.
Este ano, pelo menos duas figuras monstruosas dominam a competição no festival. A mais notável delas é o ser criado por um cientista excessivamente ambicioso no épico “Frankenstein” de Guillermo del Toro para a Netflix. A outra, vestida com um terno sob medida, reside no Kremlin.
Entretanto, o título “O Mágico do Kremlin” não se refere a Vladimir Putin, mas sim a Wadim Baranow, seu assessor e filósofo da mídia. Essa personagem é inspirada em Wladislaw Surkow, um verdadeiro conselheiro presidencial russo.
Interpretado por Paul Dano — conhecido por sua performance como o vilão Riddler em “The Batman” (2022) —, Baranow é retratado como um personagem intelectual e calculista. Seu semblante infantil esconde profundos abismos que emergem ao longo de sua transição de idealista para cínico.
A atuação de Jude Law como Putin é digna de nota; ele consegue capturar a essência da figura presidencial — astuto e impenetrável.
A narrativa
A narrativa se inicia em Moscou na década de 1990, um período em que a queda da União Soviética trouxe uma nova onda de liberdade.
Neste contexto caótico, Baranow se envolve com as artes e a vida boêmia, enquanto amigos ocidentais tentam convencer os jovens russos sobre os benefícios do comunismo — esforços que encontram resistência em meio ao hedonismo e ao desejo de consumo da nova geração.
A virada na vida de Baranow ocorre quando sua namorada Ksenia (interpretada por Alicia Vikander) o abandona por um jovem oligárquico.
Desiludido, ele decide buscar seu lugar no jogo do poder político e se aproxima do influente magnata Boris Beresowski (Will Keen), que sonha em substituir o popular, mas debilitado presidente Boris Yeltsin.
Com Yeltsin incapaz de cumprir suas funções devido à sua saúde deteriorada e dependência do álcool, Beresowski busca uma nova liderança capaz de restaurar a ordem na Rússia.
Essa busca culmina na descoberta de Vladimir Putin (Jude Law), que inicialmente reluta em trocar sua posição estável como funcionário público pela política volátil. No entanto, ele rapidamente demonstra que uma vez no poder, não haverá espaço para contestação.
Com Putin determinado a construir um novo império russo, Baranow se torna seu braço direito, apoiando-o em diversas crises políticas ao longo dos anos — desde a segunda guerra da Chechênia até a luta pelo controle da mídia após o afundamento do submarino nuclear Kursk.
O filme faz uma rápida viagem através das últimas duas décadas da história russa, mas não aprofunda suas complexidades, o que pode deixar frustrados espectadores mais críticos que esperavam ver mais nuances do cenário político russo.
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