O legado do primeiro pontífice latino-americano
Bergoglio morreu aos 88 anos, encerrando um pontificado de 12 anos marcado por reformas e defesa dos vulneráveis
O papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, morreu nesta segunda-feira, 21, aos 88 anos, às 7h35 (horário local), na Casa Santa Marta, onde escolheu viver desde o início de seu pontificado. O Vaticano confirmou a morte em nota oficial.
O cardeal Kevin Farrell anunciou: “Queridos irmãos e irmãs, é com profunda tristeza que devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco”.
O pontífice enfrentava problemas respiratórios agravados por pneumonia e infecção polimicrobiana. Sua última aparição pública foi na véspera, no Domingo de Páscoa, durante a bênção Urbi et Orbi na Praça São Pedro.
Francisco foi o primeiro papa jesuíta, o primeiro oriundo da América Latina e o primeiro não europeu em mais de 1.200 anos. Eleito em 13 de março de 2013, após a renúncia de Bento XVI, seu nome foi inspirado em São Francisco de Assis, símbolo de humildade e compromisso com os pobres.
Filho de imigrantes italianos, nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 1936. Tornou-se jesuíta em 1958, foi ordenado sacerdote em 1969 e tornou-se arcebispo da capital argentina em 1998. Foi criado cardeal em 2001 por João Paulo II.
Durante seus 12 anos de pontificado, Francisco promoveu mudanças na estrutura administrativa da Santa Sé, defendendo maior descentralização. Adotou um estilo pastoral marcado pela simplicidade, rejeitando o uso do Palácio Apostólico como residência oficial.
Entre seus principais documentos estão as exortações apostólicas Evangelii Gaudium (2013) e Amoris Laetitia (2016), além das encíclicas Laudato Si’ (2015), sobre ecologia integral, Fratelli Tutti (2020), sobre fraternidade humana, e Dilexit Nos (2024), seu último texto magisterial.
Manteve as posições tradicionais da Igreja em temas como aborto, ordenação de mulheres e casamento, mas buscou aplicar um tom pastoral mais inclusivo e misericordioso.
Enfrentou resistências internas e críticas de alas conservadoras, especialmente após permitir bênçãos pastorais a casais em situações irregulares.
Em sua diplomacia, promoveu o reatamento entre EUA e Cuba, e defendeu os refugiados em crises migratórias. Realizou mais de 50 viagens apostólicas, incluindo visitas históricas ao Iraque e à favela de Varginha, no Rio de Janeiro, durante a Jornada Mundial da Juventude em 2013.
Sua imagem solitária na Praça São Pedro durante a pandemia de Covid-19, na oração extraordinária de 27 de março de 2020, simbolizou sua liderança espiritual em tempos de crise.
No combate aos abusos sexuais na Igreja, adotou medidas inéditas, tornando obrigatória a denúncia e responsabilizando autoridades omissas. Em 2019, promulgou o motu proprio Vos Estis Lux Mundi.
Em abril de 2024, preparou pessoalmente seu funeral e sepultura. Optou por caixão único e sepultamento na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, rompendo com o costume de ser enterrado na Basílica de São Pedro.
Com sua morte, a Igreja Católica entra em período de Sé Vacante. O conclave será convocado nas próximas semanas.
Francisco deixa um legado de aproximação com os pobres, abertura ao diálogo inter-religioso e defesa da “casa comum”, renovando o papel moral do papado em um mundo em transformação.
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