O fungo de Chernobyl que aprendeu a “se alimentar” de radiação nuclear
Descoberta desafia a ciência ao mostrar que a vida pode transformar radiação em energia
No coração da zona de exclusão de Chernobyl, um ambiente tradicionalmente inabitável para humanos devido aos altos níveis de radiação, formas de vida extraordinariamente adaptáveis prosperam onde pouco se imaginaria ser possível.
Desde a catástrofe nuclear de 1986, a natureza se reinventa, e um exemplo marcante é o estudo de fungos como o Cladosporium sphaerospermum, que parecem não só resistir à radiação como também se beneficiar dela para sobreviver.
Como os fungos conseguem sobreviver à radiação em Chernobyl?
Pesquisadores da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia registraram já na década de 1990 a presença de comunidades de fungos próximos ao reator danificado. Eles encontraram 37 espécies diferentes, muitas delas com pigmentação escura, como o C. sphaerospermum, especialmente adaptadas à intensa radiação da região.
Essa descoberta evidenciou que, mesmo em áreas contaminadas, a natureza é capaz de desenvolver mecanismos para se manter ativa e diversificada, desafiando os limites do que se entende por zonas inabitáveis.

Há evidências de que o Cladosporium sphaerospermum realiza radiossíntese?
O conceito de radiossíntese, embora recente e ainda em investigação, desafia paradigmas científicos. Em laboratório, o C. sphaerospermum não apenas sobrevivia, mas parecia crescer melhor sob radiação, sugerindo que a melanina pode transformar a radiação em energia utilizável pelo organismo.
Para ilustrar as principais evidências que apontam para a radiossíntese, confira os aspectos observados em estudos recentes:
- Aumento do crescimento do fungo em ambientes altamente radioativos
- Indicação de conversão de energia via melanina
- Capacidade do fungo em absorver e reduzir a radiação ambiente
🚨: Fungus found growing on the walls of Chernobyl evolved to literally eat nuclear radiation
— All day Astronomy (@forallcurious) October 29, 2025
In the radioactive ruins of Chernobyl, scientists discovered a black fungus with an extraordinary talent: it feeds on radiation.
Cladosporium sphaerospermum, found growing on the walls… pic.twitter.com/aEToCcJwTb
Como o Cladosporium sphaerospermum se diferencia de outros fungos melanizados
A adaptabilidade do C. sphaerospermum frente à radiação não é vista em todos os fungos que possuem melanina. Outras espécies, como Wangiella dermatitidis e Cladosporium cladosporioides, demonstram respostas distintas ao mesmo ambiente radioativo.
Isso indica que a presença do pigmento escuro não determina sozinha a sobrevivência em ambientes hostis, sugerindo um processo evolutivo ou adaptativo específico para certas espécies.
O que as descobertas sobre esses fungos revelam sobre os limites da vida
O C. sphaerospermum exemplifica como a vida encontra maneiras inovadoras de persistir nos ambientes mais extremos do planeta. Os estudos revelam possibilidades que vão além do entendimento tradicional, como potenciais aplicações em biotecnologia e futuras missões espaciais.
Essas descobertas inspiram novas perspectivas científicas e mostram que nosso conhecimento sobre adaptação e sobrevivência ainda está em constante expansão graças a tais organismos resilientes.
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