O conflito em Gaza está mesmo chegando ao fim?
A guerra na Faixa de Gaza pode acabar e os reféns podem ser libertados em breve. Mas se uma paz duradoura será alcançada permanece uma incógnita
Donald Trump anunciou, na Casa Branca, na segunda-feira, 29 de setembro, ao lado de Benjamin Netanyahu, seu plano para um cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro israelense já concordou, agora resta ao Hamas seguir o exemplo. Segundo relatos da mídia, o Catar está aumentando a pressão sobre a organização terrorista. O emirado sinalizou aos EUA que pode ter sucesso. “Eu tenho uma boa sensação de que receberemos uma resposta positiva”, disse Trump.
O plano de paz de Trump prevê, entre outras coisas, o fim do domínio da Hamas. Além disso, os reféns restantes devem ser libertados em até 72 horas, a Faixa de Gaza deve ser desmilitarizada e um governo de transição deve assumir o controle. Este governo também poderá incluir a Autoridade Nacional Palestina (ANP), assim que esta completar as reformas necessárias.
Israel se retirará gradualmente de Gaza e libertará cerca de dois mil prisioneiros palestinos. Os palestinos poderão continuar a viver na faixa costeira.
O que acontecerá com as armas da Hamas?
O mais difícil será o Hamas aceitar a desarmamento. No domingo, 28, o líder sênior do Hamas, Husam Badran, disse em uma entrevista que a organização estaria disposta a encerrar a guerra se alguns princípios fundamentais não fossem violados.
Entre eles está aparentemente o que entendem como resistência armada. Segundo eles, os islamitas têm o direito de se defender contra a “ocupação” com todos os meios.
Segundo o plano de Trump, o Hamas deve desmontar sua “infraestrutura ofensiva”. Isso inclui a produção de armas e o sistema de túneis. As “armas devem ser tornadas inoperantes”, mas o texto não entra em detalhes.
Segundo declarações do próprio exército israelense, durante quase dois anos de operação na Faixa de Gaza, quase todo o arsenal de foguetes da Hamas foi destruído.
A organização terrorista ainda possui rifles de assalto, lançadores de foguetes e granadas. Do ponto de vista puramente militar, o poder atual do Hamas não representa mais uma ameaça para Israel.
Netanyahu sob pressão
Os parceiros mais radicais da coalizão do primeiro-ministro Netanyahu podem achar que o plano de Trump exige concessões demais.
O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Polícia, Itamar Ben-Gvir, se manifestaram a favor da reocupação de Gaza e da expulsão dos palestinos da área – ambas as opções estão excluídas no plano de Trump.
A concordância de Netanyahu pode custar-lhe sua coalizão governamental. Assim, Smotrich já definiu na manhã de segunda-feira suas linhas vermelhas para um acordo de cessar-fogo. Se o Hamas mantiver armas ou se o Catar e a Autoridade Nacional Palestina forem envolvidos na administração de Gaza, seu partido “Sionismo Religioso” deixará o governo.
É provável que Ben-Gvir também saia do governo como fez quando foi anunciada a trégua em Gaza em janeiro. Neste caso, o primeiro-ministro ficaria sem uma maioria governamental.
Incertezas quanto ao futuro de Gaza
Mesmo que o Hamas concorde com o plano de Trump, permanecerá incerta a futura situação da Faixa de Gaza.
O plano de Trump prevê que um comitê tecnocrático composto por palestinos e por atores internacionais não especificados realize a reconstrução de Gaza.
Os tecnocratas serão liderados por um “conselho da paz” sob a supervisão de Trump e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. A reconstrução da faixa costeira quase completamente destruída deve levar anos.
Leia também: Os 20 pontos da proposta de Trump para Gaza
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Comentários (2)
Marian
30.09.2025 09:50Confiaria na palavra de terroristas?
Marcia Elizabeth Brunetti
30.09.2025 08:27Espero que encontrem o melhor caminho para encerrar essa guerra. Mas me pergunto qual a baixeira que os esquerdalhas vão assumir depois: Venezuela Free?