Número de jovens que se declaram não binários despenca nos EUA
Relatório indica queda nas universidades e escolas; autor liga fenômeno à melhora na saúde mental após pandemia
Uma nova pesquisa mostra que o número de jovens americanos que se identificam como não binários, ou seja, que não se veem exclusivamente como homem ou mulher, despencou nos últimos dois anos.
O estudo foi divulgado nesta terça, 14, pelo professor Eric Kaufmann, da Universidade de Buckingham, no Reino Unido.
Segundo Kaufmann, a proporção de estudantes universitários que se declaram fora do binário de gênero caiu de 6,8% em 2023 para 3,6% em 2025.
A queda também aparece em instituições de elite. Na Universidade Brown, o índice passou de 5% para 2,6%. Na Phillips Academy Andover, em Massachusetts, recuou de 7,4% para 3%.
O relatório, intitulado “O declínio da identidade trans e queer entre jovens americanos“, reúne dados de várias fontes.
Entre elas estão as pesquisas da Fundação para Direitos Individuais e Expressão (FIRE), que ouviu mais de 50 mil universitários, levantamentos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e dados internos da Universidade Brown e da Phillips Academy Andover.
Todas mostram redução constante nas identificações não binárias ou “queer”, termo que abrange identidades e orientações não tradicionais, como gênero fluido ou incerto.
Kaufmann associa parte dessa redução à melhora na saúde mental dos jovens após a pandemia de Covid-19.
Ele sugere que o aumento das identificações não binárias nos anos anteriores pode ter sido influenciado por fatores temporários, como o isolamento social, o uso intenso de redes e a busca por pertencimento.
A hipótese se aproxima das análises do escritor William Zinsser, que via expressões culturais como reflexos de crises pessoais e coletivas, e das teorias do psicólogo Robert Cialdini sobre influência social e comportamento de grupo. Para Kaufmann, o fenômeno pode ter seguido o padrão de uma “moda social” que perdeu força à medida que o contexto mudou.
O estudo destaca que as pesquisas analisadas medem quem não se identifica nem como homem nem como mulher, em categorias como não binário, gênero queer ou incerto. Pessoas trans que se veem como homem ou mulher não entram nesses dados, o que torna o declínio mais restrito ao grupo não binário.
Dados do Instituto Williams, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), estimam que 2,8 milhões de americanos se identificam como transgênero, incluindo cerca de 724 mil jovens.
Esses números permanecem estáveis em comparação a anos anteriores, o que indica que a redução observada por Kaufmann se limita às identidades não binárias.
A FIRE também registrou melhora no bem-estar dos estudantes desde 2023.
Casos de ansiedade e depressão diminuíram, e o número de jovens que se declaram heterossexuais subiu cerca de 10 pontos percentuais.
Kaufmann avalia que a estabilidade emocional pode estar reduzindo a necessidade de buscar novas formas de identidade.
A divulgação do estudo gerou ampla repercussão nas redes sociais. Usuários comemoraram o que chamam de “retorno à normalidade”, enquanto ativistas LGBTQ+ afirmam que a queda pode refletir “medo”.
Kaufmann diz que continuará acompanhando as próximas pesquisas, mas acredita que o país vive um período de estabilização das identidades de gênero entre os jovens.
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