Nova Zelândia não reconhece Estado palestino ‘neste momento’
Apesar da decisão, ministro das Relações Exteriores do país defende solução de dois Estados
O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, anunciou nesta sexta-feira, 26, em Nova York, que o país não reconhecerá o Estado da Palestina “neste momento”, apesar de reafirmar apoio à solução de dois Estados.
Peters afirmou que a guerra em curso, o controle do Hamas em Gaza e a incerteza sobre os próximos passos tornam prematuro o reconhecimento. Segundo ele, a decisão poderia prejudicar negociações de cessar-fogo.
“Estamos preocupados que o foco no reconhecimento, nas circunstâncias atuais, possa complicar os esforços para garantir um cessar-fogo, empurrando Israel e o Hamas para posições ainda mais intransigentes”, disse o ministro durante a Assembleia-Geral da ONU.
O diplomata neozelandês disse ainda que o prolongamento do conflito é o principal obstáculo à criação de um Estado palestino.
“O que é necessário agora, mais do que nunca, é diálogo, diplomacia e liderança, não mais conflitos e extremismo”, afirmou Peters.
Ele também pediu que todas as partes envolvidas no conflito respeitem o direito internacional, garantam acesso humanitário a Gaza e cessem ações militares e atividades ilegais. Peters afirmou que o reconhecimento do Estado palestino será feito “quando chegar o momento certo”.
Macron oficializa reconhecimento da Palestina
A posição da Nova Zelândia contrasta com a de outros onze países que anunciaram recentemente reconhecimento oficial da Palestina, incluindo França, Reino Unido, Portugal e Bélgica.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na última terça-feira, 23, durante seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, que o reconhecimento não retira os direitos do povo de Israel e representa a “única solução” que permitirá a Israel viver em paz.
“O tempo chegou. É por isso que, fiel ao compromisso histórico do meu país com o Oriente Médio e com a paz entre israelenses e palestinos, declaro que a França reconhece hoje o Estado da Palestina.
Esse reconhecimento é uma forma de afirmar que o povo palestino não é um povo a mais. Pelo contrário, é um povo que nunca renuncia a nada, como disse Mahmoud Darwich. Um povo com uma história forte, raízes profundas e dignidade.
O reconhecimento dos direitos legítimos do povo palestino não retira nada dos direitos do povo de Israel, que a França apoiou desde o primeiro dia e cujo respeito ela mantém com firme compromisso.
Precisamente porque estamos convencidos de que esse reconhecimento é a única solução que permitirá a Israel viver em paz.”
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