Noruega começa a erguer o primeiro túnel flutuante submerso do mundo para cruzar fiorde de 1.100 metros de profundidade sem tocar o fundo
Noruega constrói o primeiro túnel flutuante submerso do mundo: estrutura de concreto vai cruzar fiorde sem tocar o fundo
🌊 Um túnel que flutua dentro do mar?
A Noruega quer atravessar fiordes de mais de 1.000 metros de profundidade com uma estrutura que nunca existiu: um tubo de concreto submerso, sustentado por flutuadores na superfície. A engenharia que vai mudar a forma como o mundo cruza águas profundas está prestes a sair do papel. ⬇️
Imagine dirigir por dentro de um tubo de concreto a 30 metros abaixo da superfície do mar, com mais de um quilômetro de água escura sob seus pés. Essa é a proposta da Administração Nacional de Rodovias da Noruega (NPRA), que planeja erguer a primeira passagem subaquática flutuante do planeta para eliminar travessias de balsa ao longo da rodovia E39, na costa oeste do país.
Como funciona um túnel que flutua debaixo d’água?
A passagem submarina funciona pelo princípio de Arquimedes. Dois tubos paralelos de concreto armado ficam suspensos a cerca de 30 metros abaixo da superfície, ancorados nas rochas de cada margem do fiorde. Flutuadores posicionados na superfície do mar estabilizam a estrutura e impedem que ela afunde ou suba.
Cada tubo possui duas faixas de rolamento: uma para o tráfego e outra para manutenção e emergências. A experiência para o motorista seria semelhante à de qualquer outro túnel rodoviário convencional. A diferença está no que sustenta tudo: em vez de rocha sólida, a construção flutua sobre água.

Por que pontes e escavações tradicionais não resolvem?
A costa norueguesa possui quase 1.200 fiordes. Alguns deles ultrapassam 1.250 metros de profundidade, como o Sognefjord, conhecido como “o rei dos fiordes”. Escavar um túnel convencional sob o leito marinho a essa profundidade é tecnicamente inviável. Pontes suspensas de vão único também não suportam a largura de 3,7 quilômetros que separa as margens.
A travessia rodoviária entre Kristiansand e Trondheim leva 21 horas e exige sete paradas para embarcar em balsas. Cada balsa representa atraso, custo operacional e interrupção por mau tempo. O projeto da passagem flutuante pretende cortar esse tempo pela metade.
Antes de listar os números do projeto, vale observar que a escala da obra não tem paralelo na engenharia moderna. O orçamento e os prazos refletem a complexidade de uma estrutura inédita.
Quais desafios a engenharia ainda precisa vencer?
A estrutura submarina precisa resistir a ondas, correntes marítimas e até explosões internas. Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) e do instituto Marintek conduziram testes em tanques de ondas para simular o comportamento dos tubos em condições extremas. Os resultados preliminares indicam que a pressão constante da água ao redor da passagem submersa reduz o impacto de detonações internas.
Também há preocupação com a preservação ambiental. O conceito do túnel subaquático mantém presença mínima na superfície, o que preserva a paisagem natural dos fiordes noruegueses. Os espaçamentos entre os flutuadores permitem a passagem livre de embarcações.
Outros países também tentam construir estruturas semelhantes?
Sim. China, Coreia do Sul e Itália pesquisam projetos parecidos de travessias submersas. A corrida envolve o Estreito de Gibraltar e o Estreito de Messina, locais onde a profundidade impede soluções convencionais. A Noruega lidera porque investiu em estudos de viabilidade desde 2011 e já possui um histórico de pontes flutuantes em operação, como a Bergsøysund (845 metros) e a Nordhordland (1.246 metros), ambas construídas nos anos 1990.
- A construção subaquática flutuante exigiria 400 mil metros cúbicos de concreto e 61 mil toneladas de aço, segundo o estudo do consórcio Reinertsen Olav Olsen Group.
- A travessia eliminaria as sete paradas de balsa e reduziria a viagem de 21 horas para cerca de 11 horas.
- O projeto faz parte do Plano Nacional de Transportes da Noruega 2018-2029, com extensões previstas até 2050.

Essa obra pode mudar a engenharia de transportes no mundo?
O túnel flutuante norueguês representa mais do que uma solução local. Se a travessia submersa funcionar conforme o planejado, o conceito poderá ser replicado em dezenas de locais onde a profundidade da água impede pontes ou escavações. A engenharia de infraestrutura ganha uma ferramenta que, até agora, existia apenas no papel.
Fiordes, estreitos e baías profundas ao redor do planeta podem se beneficiar dessa tecnologia. Se você se interessa por megaobras que desafiam os limites do possível, acompanhe os próximos passos da NPRA e prepare-se para ver a construção mais ousada deste século ganhar forma.
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