Netanyahu acusa imprensa internacional de divulgar “mentiras do Hamas”
Primeiro-ministro afirma que Israel considera entrar com ação judicial contra o New York Times por reportagens desse tipo
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (foto), acusou parte da imprensa internacional de divulgar “mentiras do Hamas” sobre a fome em Gaza durante a cobertura da guerra contra o grupo terrorista. Em entrevista coletiva neste domingo, 10, Netanyahu afirmou que, ao contrário das alegações falsas, a política de Israel tem sido evitar uma crise humanitária, enquanto o Hamas busca criá-la.
“Israel permitiu a entrada de quase dois milhões de toneladas de ajuda”, disse Netanyahu. “Se tivéssemos uma política de fome, ninguém em Gaza teria sobrevivido a dois anos de guerra.”
O premiê afirmou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) tomaram medidas para proteger civis, mas que o Hamas tem atacado caminhões de ajuda, o que, segundo ele, causou o apodrecimento de toneladas de alimentos não coletados pela ONU.
Netanyahu classificou como “campanha de mentiras” as acusações contra Israel e disse que, apesar dos obstáculos impostos pelo Hamas, cerca de dois milhões de pessoas já recebem ajuda humanitária.
“Mas vou dizer quem não está recebendo: os nossos reféns estão sendo deliberadamente privados de comida”, afirmou.
Para ilustrar sua fala, o primeiro-ministro mostrou uma foto de Evyatar David, um refém mantido pelo Hamas, comparando seu estado de magreza com o braço saudável de um terrorista da organização presente na mesma imagem.
“Ele está comendo, e está comendo bem”, disse Netanyahu.
O premiê também criticou a imprensa internacional por aceitar “de forma acrítica” as reivindicações e imagens do Hamas, especialmente fotos de crianças supostamente famintas em Gaza.
Ele mostrou exemplos de crianças cujas imagens foram usadas erroneamente para representar a fome no enclave, como Osama al-Rakab, uma criança com uma doença genética tratada na Itália após ser evacuada de Gaza, e Muhammad Zakariya Ayyoub, que sofre de paralisia cerebral.
Netanyahu afirmou que Israel considera entrar com uma ação judicial contra o jornal The New York Times por causa dessas reportagens.
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Netanyahu defende continuação da ofensiva
O primeiro-ministro israelense afirmou ainda que Israel “não tem escolha a não ser terminar o trabalho” contra o Hamas, devido à “recusa do grupo em depor as armas”.
Ele anunciou que o governo pretende “desmantelar” os dois últimos redutos do Hamas em Gaza, considerando essa ação “a melhor forma de acabar com a guerra”.
Na última sexta-feira, o gabinete de segurança de Israel aprovou o controle militar total sobre a Cidade de Gaza, que já está 75% sob domínio israelense, com suas fronteiras praticamente fechadas.
Netanyahu também comentou sobre as preocupações internacionais relacionadas à falta de ajuda humanitária em Gaza e afirmou que algumas fotos de crianças famintas são falsas. Ele disse que o preço dos alimentos na região está caindo devido à “onda humanitária” promovida por Israel e que centenas de caminhões de ajuda têm entrado para aliviar a situação.
Jornalistas estrangeiros em Gaza
Sobre a presença da imprensa internacional, Netanyahu anunciou que “mais jornalistas estrangeiros” serão autorizados a entrar em Gaza.
Durante o conflito, Israel restringiu o acesso de repórteres estrangeiros à região, permitindo visitas apenas em ocasiões específicas, sempre acompanhados por soldados israelenses.
“Decidimos e ordenei às Forças de Defesa que tragam mais jornalistas estrangeiros, muitos”, disse o premiê, acrescentando que “há um problema para garantir a segurança, mas acredito que isso pode ser feito”.
Ele indicou, porém, que o exército provavelmente continuará acompanhando os jornalistas, apesar dos pedidos por acesso livre ao território.
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