Nessa cidade todos são obrigados a ter uma horta em casa
Modelo busca reduzir a distância entre campo e cidade, criando um cinturão produtivo inserido no cotidiano urbano.
Em uma área tranquila nos arredores de Almere, na Holanda, surgiu Oosterwold, um bairro em que cada casa precisa destinar pelo menos metade de sua área ao cultivo de alimentos, ou seja, uma horta, criando um modelo de urbanismo que aproxima moradia, produção de comida e sustentabilidade em um laboratório vivo de cidade.
O que torna Oosterwold um bairro com horta em casa obrigatória na Holanda?
O diferencial de Oosterwold é a regra que condiciona a ocupação do lote à agricultura urbana.
Ao comprar um terreno, o morador assume o compromisso de usar cerca de 50% da área para plantar frutas, verduras, ervas ou outras culturas comestíveis, priorizando produção de alimentos, e não apenas paisagismo.
Esse modelo busca reduzir a distância entre campo e cidade, criando um cinturão produtivo inserido no tecido urbano.
Desde 2016, o bairro cresce de forma gradual, com moradores participando de decisões sobre ruas, acessos, áreas comuns e uso do solo, o que faz de Oosterwold um experimento de planejamento colaborativo.
Хотите жить в этом городке в Нидерландах? Тогда вам придется самим выращивать еду. Такие уж в Остерволде правила. Проект был запущен почти десять лет назад, сегодня здесь живут около 6 тысяч человек. Вот как это выглядит #dweuromaxx pic.twitter.com/ivjx3iH36A
— DW на русском (@dw_russian) August 10, 2025
Como funciona na prática a horta em casa obrigatória de Oosterwold?
Na prática, cada casa convive com um espaço produtivo expressivo, que pode ser organizado em canteiros de hortaliças, pomares mistos, estufas ou sistemas agroflorestais simples.
A fiscalização formal é limitada, mas o desenho aberto do bairro e o olhar dos vizinhos reforçam o uso ativo da terra.
Para tornar o modelo viável, muitos moradores conciliam trabalho em tempo integral com o cuidado das plantas, recorrendo a canteiros menores, irrigação automatizada e espécies rústicas.
Em geral, o foco está menos na alta produtividade e mais em criar uma cultura de cuidado com o território e de produção local.
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Quais são as principais características urbanas e sociais do bairro?
Oosterwold combina liberdade arquitetônica com exigências claras de uso produtivo do solo, o que favorece diversidade de construções e arranjos agrícolas.
A organização do bairro incentiva que os moradores cooperem entre si e assumam papéis ativos na definição da infraestrutura e dos serviços.
Esse arranjo gera uma rotina em que vizinhos compartilham recursos, aprendizados e até tarefas agrícolas, criando uma rede de apoio que sustenta o experimento urbano.
Entre os aspectos mais marcantes do modelo, destacam-se:
- Metade do lote dedicada ao cultivo de alimentos.
- Liberdade arquitetônica, desde que respeitada a área produtiva.
- Integração entre vizinhos para uso de maquinário e troca de sementes.
- Participação direta da comunidade em decisões sobre infraestrutura.

Quais impactos ambientais e de segurança alimentar Oosterwold gera?
Do ponto de vista ambiental, o bairro aumenta a biodiversidade, reduz áreas impermeabilizadas e favorece a infiltração da água da chuva.
Jardins comestíveis, sebes vivas e pequenas áreas úmidas ajudam a evitar ilhas de calor e a criar abrigo para insetos, aves e outros animais.
No campo social, a produção local reforça a segurança alimentar, diminui a distância entre produtor e consumidor e cria espaços educativos sobre alimentação e meio ambiente.
Mesmo que apenas parte da dieta venha da horta, a dependência exclusiva de supermercados é reduzida.
O que o cotidiano em Oosterwold indica sobre o futuro das cidades?
A rotina do bairro mostra que cidades sustentáveis podem integrar diretamente solo, alimento e moradia, indo além de soluções como ciclovias e painéis solares.
Em Oosterwold, a sustentabilidade inclui participação cidadã, produção local e aprendizado contínuo sobre cultivo, mesmo com moradores majoritariamente amadores.
Para especialistas, Oosterwold funciona como estudo de caso para metrópoles que enfrentam insegurança alimentar, expansão desordenada e perda de áreas verdes, indicando que metas de cultivo urbano e envolvimento comunitário podem ser caminhos concretos para reorganizar a relação entre cidade, alimento e natureza.
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