“Não sei se consigo encontrar felicidade na vida”, diz Viktor Orbán
Premiê que governou 16 anos confessa não saber se conseguirá encontrar motivação além da vida familiar após derrota eleitoral
“Essa dor [da derrota] liberou muita energia em mim, e não cabe a mim decidir o que fazer. Não sei se consigo encontrar felicidade na vida, além da minha família, ou ímpeto, ambição, inspiração. Não sei ainda, porque agora estou lutando contra a fadiga, ou a dor, e o vazio, assim como você”, desabafou Viktor Orbán nesta quinta-feira, 16, a um canal de apoiadores no YouTube.
O ex-primeiro-ministro da Hungria, que deixará o cargo após 16 anos no poder, reconheceu enfrentar uma crise pessoal diante do resultado que o removeu do governo.
Fim de uma (controversa) era política
A vitória de Péter Magyar marcou o fim de um longo período de domínio de Orbán. Magyar, que integrou o partido Fidezs até 2024 antes de se tornar opositor, lidera agora o Tisza, que conquistou 138 das 199 cadeiras do Parlamento húngaro. A margem de vitória permite ao novo premiê implementar reformas constitucionais e reverter medidas adotadas durante os quatro mandatos de Orbán.
Magyar deverá formar o novo governo até 12 de maio e já iniciou seu processo de desmontagem do legado do antecessor. Na quarta-feira, 15, visitou o palácio presidencial e exigiu a saída imediata do presidente Tamás Sulyok. Em publicação nas redes sociais, Magyar descreveu o presidente como “indigno” de representar a nação e “inadequado para servir como guardião da legalidade”.
Fim do controle?
O domínio de Orbán sobre o setor de comunicações foi instrumental para sua permanência no poder. Durante 16 anos, o ex-premiê controlou tanto meios públicos quanto privados, moldando o cenário político em favor de seu partido e minando as bases do processo democrático no país.
Magyar adotou uma estratégia radicalmente diferente durante a campanha. Utilizou redes sociais para se comunicar diretamente com eleitores e ignorou completamente a imprensa pró-Orbán, seja estatal ou privada. Como premiê eleito, continua usando plataformas digitais para reforçar a mensagem de que seu governo desmantelará o aparato deixado pelo antecessor.
Entre as primeiras ações anunciadas pelo novo líder húngaro está a suspensão das emissoras estatais até que ocorra uma reforma da legislação de mídia no país. O movimento simboliza a inversão de uma das estratégias que sustentou Orbán no poder durante seus 16 anos de governo.
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