“Não se evita a guerra sendo fraco”
Como o continente pode se defender sem a ajuda dos EUA
Os jornalistas Henry Foy e John Paul Rathbone publicaram no Financial Times artigo intitulado “Como a Europa pode se defender sem a ajuda dos EUA”, nesta quarta, 19.
O texto trata da crescente incerteza sobre o compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia e os desafios que o continente enfrenta para construir uma defesa independente.
“A mentalidade da Europa tem que mudar”, afirma Sauli Niinistö, ex-presidente da Finlândia. Segundo ele, os europeus precisam entender que “não se evita a guerra sendo fraco”.
O alerta vem depois de uma declaração do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que afirmou na última semana que a presença militar americana na Europa não pode ser considerada “eterna”.
Vários presidentes dos EUA já cobraram que os países europeus gastem mais com defesa, mas Donald Trump é o primeiro a obrigá-los a pensar seriamente no que fariam sem a proteção americana.
“O que Hegseth disse é profundamente desconfortável”, reconhece Jack Watling, pesquisador do Instituto Real de Serviços Unidos, do Reino Unido. “Mas, se isso obrigar a Europa a se organizar, pode ser o empurrão que precisávamos.”
Entre as principais preocupações dos governos europeus está o financiamento da defesa. Líderes do continente discutem como aumentar os orçamentos militares e criar um fundo conjunto para investimentos estratégicos.
Um dos projetos mais urgentes é um sistema europeu de defesa contra mísseis, já que o atual é considerado fraco e cheio de falhas.
Outro problema é a dependência da tecnologia militar americana. “Quando falamos de caças F-35, sistemas de mísseis terra-ar… quase tudo é americano”, diz Theo Francken, ministro da Defesa da Bélgica.
Ele também critica um helicóptero militar feito por um grupo europeu, dizendo que ele é “horrível” em comparação com o modelo americano Chinook.
Além disso, os exércitos europeus foram organizados para sempre contar com o apoio dos EUA. Isso significa que, se os americanos retirarem seus 90 mil soldados da Europa, será difícil para os países do continente preencher essa lacuna rapidamente.
O artigo lembra que, em 2013, a França precisou da ajuda dos EUA para transportar equipamentos e abastecer aviões de guerra durante uma missão no Mali.
Para Camille Grand, ex-dirigente da Otan, se a Europa tivesse sua própria estrutura para esse tipo de operação, isso seria “a maior mudança de todas” na sua capacidade militar.
A questão nuclear também preocupa. Se os EUA retirarem sua proteção militar, os países da Otan perderão acesso às armas nucleares táticas americanas, que são menores e usadas para ataques localizados.
França e Reino Unido têm arsenais próprios, mas suas bombas são de longo alcance, projetadas para destruir cidades inteiras. Isso abriria uma brecha que poderia ser explorada por Vladimir Putin, segundo Fabian Hoffmann, do Projeto Nuclear de Oslo.
Mesmo com os sinais de mudança na política americana, alguns líderes europeus ainda hesitam. Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia, diz que enviar tropas polonesas para uma força de paz na Ucrânia pós-guerra poderia deixar seu próprio país vulnerável, já que faz fronteira com a Rússia e Belarus.
Os autores lembram que a Europa já tentou se tornar militarmente independente no passado, desde os anos 1950, mas nunca conseguiu.
A diferença agora é que, pela primeira vez, os EUA podem realmente deixar de garantir sua segurança. “Há um perigo de exagerar essa ameaça”, admite um diplomata europeu. Ainda assim, a nova postura dos EUA já é uma “realidade desconfortável” para o continente.
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Comentários (2)
Marian
19.02.2025 18:06Só se evita uma guerra sendo ou parecendo forte. E não é que Trump talvez tenha acordado a Europa?
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
19.02.2025 13:29Que falta faz o aprendizado e entendimento de História.