Musk atribui a Trump limite imposto ao Starlink militar na Ucrânia
Dono da SpaceX diz que o Starshield, usado por Kiev, pertence ao governo americano; autoridade ucraniana confirma reestabelecimento
O empresário Elon Musk, dono da SpaceX, afirmou que cabe ao governo dos Estados Unidos, e não à sua empresa, definir restrições ao serviço de satélites usado pelas Forças Armadas da Ucrânia. A declaração veio depois de autoridades em Kiev relatarem a imposição de um teto de velocidade aos terminais.
“Quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos”, escreveu Musk.
Dois sistemas, um só fornecedor
Musk distinguiu o Starshield, versão militar da rede, do Starlink civil, que os ucranianos também utilizam, mas que não pode servir a operações ofensivas. Sobre o primeiro, disse que “os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos”.
Os terminais da empresa orientam ataques de drones ucranianos de longo alcance contra regiões ocupadas pela Rússia, no sul e no leste do país. Essas operações têm danificado a logística russa.
A denúncia partiu de Sergiy Beskrestnov, assessor de tecnologia do presidente Volodimir Zelenski, que disse que a SpaceX havia estabelecido o limite. Um alto funcionário ucraniano foi além e acusou Washington de ajudar a Rússia, por reduzir a velocidade do serviço e não avisar Kiev sobre ataques iminentes.
Zelenski adotou tom diferente. Em entrevista ao jornalista britânico Piers Morgan, pediu a Musk que restabelecesse o serviço. “Espero que seja um erro, talvez um enorme problema técnico”, disse. “Não sei, mas estamos pedindo que isso seja resolvido, que seja reativado”.
Pressão sobre refinarias
O motivo da redução não foi esclarecido. O episódio ocorre quando o governo americano pressiona a Ucrânia a interromper ataques a refinarias de petróleo russas.
No domingo, 11, Donald Trump anunciou nas redes sociais um cessar-fogo energético entre os dois países. “Ambas as partes concordaram. Não o violem!”, escreveu. Não há indício de que Moscou ou Kiev cumpram o acordo, nem de que o tenham negociado antes do anúncio.
Na semana passada, Trump também disse ter fechado com a Rússia um acordo para ampliar a oferta de diesel russo no mercado mundial.
Ainda na quarta, o ex-ministro da Defesa ucraniano Mykhailo Fedorov informou que o serviço estava sendo retomado: “A operação do Starlink em velocidades de até 160 km/h está sendo restabelecida. Os drones de ataque e os drones interceptadores deverão voltar a poder voar”, escreveu.
Fedorov agradeceu a Musk e acrescentou: “Esperamos continuar contando com seu apoio”.
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