Muçulmano socialista avança e pode comandar Nova York
Zohran Mamdani lidera arrecadação, atrai o eleitorado jovem com plano bilionário para congelar aluguéis, estatizar serviços e taxar os ricos
Zohran Kwame Mamdani, deputado estadual por Nova York e muçulmano, é hoje o nome mais viável da esquerda radical na corrida para a prefeitura da maior cidade dos Estados Unidos.
Aos 33 anos, aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto e lidera a arrecadação de campanha, com US$ 8 milhões — o máximo permitido por lei. Seu avanço representa a tentativa mais concreta de um socialista chegar à prefeitura desde 1917.
Mamdani se define como um “esquerdista muçulmano do outro lado do Queens” e promete uma revolução urbana: congelamento dos aluguéis para 1 milhão de apartamentos, creches gratuitas, ônibus sem cobrança de passagem, supermercados estatais e construção de moradias populares.
O custo do pacote: cerca de US$ 100 bilhões — quase o valor total do orçamento anual da cidade. Para financiar tudo isso, o deputado propõe aumentar impostos sobre os mais ricos e sobre grandes empresas, em um momento em que o governo estadual já cogita elevar tributos para cobrir déficits do transporte público.
A plataforma de Mamdani é sustentada pelo “Socialistas Democráticos da América” (Democratic Socialists of America, DSA), grupo que impulsionou nomes como Alexandria Ocasio-Cortez e defende o controle estatal de setores estratégicos, o voto para não-cidadãos, o fim das prisões e a abolição do Estado de Israel.
O candidato é uma das vozes mais ativas da causa palestina na política americana, com histórico de participação em protestos anti-Israel e propostas legislativas contra organizações judaicas que atuam em assentamentos na Cisjordânia.
Mamdani tem apelo crescente entre os eleitores mais jovens e engajados politicamente, especialmente os afetados pela disparada do custo de vida em Nova York.
O aluguel médio na cidade ultrapassa US$ 3.500 por mês, e a mensalidade de uma creche chega a US$ 26 mil por criança. Em um cenário em que o salário médio está abaixo de US$ 80 mil anuais, a mensagem de “reduzir o custo de viver em Nova York” tem força.
Segundo o City Journal, as propostas de Mamdani são “financeiramente desastrosas”. Ele não teria controle direto sobre os principais mecanismos necessários para sua implementação, como a definição do teto da dívida da cidade, as tarifas do sistema de transporte público e a autorização para aumento de impostos.
Especialistas apontam que, na prática, seu único projeto viável seria a abertura de cinco mercados públicos subsidiados.
Mesmo assim, Mamdani cresce. Seu domínio das redes sociais, o uso de narrativas pessoais e a retórica contra o “establishment” empurraram sua candidatura ao centro do debate.
Segundo analistas, ele já se consolidou como principal adversário do ex-governador Andrew Cuomo. O ex-mandatário, embora liderando a corrida, enfrenta dificuldades para atrair o eleitorado jovem e precisa apresentar propostas tão contundentes quanto as de Mamdani — mas sem romper com a realidade fiscal da cidade.
A ascensão de Mamdani em Nova York lembra o best-seller francês Submissão, de Michel Houellebecq.
Na obra, um intelectual francês presencia a vitória eleitoral de um partido islâmico que, com apoio da esquerda tradicional, assume o poder e transforma a França em um regime teocrático. Assim como no livro, Nova York vê o avanço de uma figura muçulmana com discurso socialista radical, apoiado por jovens urbanos.
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Comentários (1)
Fabio B
16.04.2025 08:09Tomara que ganhe, kkkkkkk