Morre ex-vice dos EUA Dick Cheney aos 84
Família informa morte por pneumonia e complicações cardíacas; ex-vice de Bush teve papel central na resposta ao 11 de Setembro
Dick Cheney, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, morreu na segunda, 3, aos 84 anos. A causa foi pneumonia associada a problemas cardiovasculares crônicos, segundo comunicado da família. Ele estava em casa, ao lado da esposa Lynne e das filhas Liz e Mary.
Nascido em Lincoln, Nebraska, em 1941, Cheney cresceu no estado de Wyoming. Formou-se em ciências políticas na Universidade de Wyoming e iniciou a carreira como assessor do Congresso. Trabalhou nas administrações Nixon e Ford, chegando a chefiar o gabinete da Casa Branca em 1975.
Em 1978, foi eleito deputado federal por Wyoming. Permaneceu dez anos na Câmara, onde chegou a liderar a bancada republicana. No governo de George H. W. Bush, foi secretário de Defesa e comandou a Operação Tempestade no Deserto, em 1991, durante a Guerra do Golfo.
Entre 1995 e 2000, Cheney presidiu a Halliburton, empresa de petróleo e energia. Voltou à política em 2000 como vice na chapa de George W. Bush, cargo que exerceu por dois mandatos.
Como vice-presidente, teve influência incomum nas decisões de governo. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, ajudou a formular a estratégia da “guerra ao terror”. Foi um dos principais defensores da invasão do Iraque em 2003, sob a alegação de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Essas armas nunca foram encontradas.
As políticas de segurança e interrogatório defendidas por Cheney geraram controvérsias dentro e fora dos Estados Unidos. Ele apoiou a vigilância ampliada pela Agência de Segurança Nacional e o uso de técnicas duras em prisioneiros suspeitos de terrorismo.
Em 2007, escapou de um atentado suicida em uma base americana no Afeganistão. O ataque, reivindicado pelo Talibã, matou dezenas de pessoas, mas não atingiu o então vice-presidente.
Cheney enfrentou sérios problemas cardíacos desde os 37 anos, quando teve o primeiro infarto. Passou por cirurgia de ponte de safena em 1988 e recebeu um marcapasso em 2001. Em 2010, implantou um dispositivo de assistência ventricular que o manteve vivo por mais de um ano sem pulso detectável.
Em 2012, recebeu um transplante de coração em hospital da Virgínia. O procedimento durou sete horas. Depois da cirurgia, Cheney afirmou viver “agradecido por cada novo dia”.
Nos últimos anos, rompeu com o presidente Donald Trump. Criticou as alegações de fraude eleitoral de 2020 e apoiou publicamente a filha Liz Cheney, afastada da liderança republicana por se opor a Trump.
Em 2024, declarou que votaria na democrata Kamala Harris, dizendo que Trump era “a maior ameaça à república em 246 anos”. O gesto marcou o afastamento definitivo do ex-vice das alas conservadoras que ajudou a consolidar.
Dick Cheney deixa a esposa, duas filhas e netos. Seu legado combina influência decisiva em política externa e defesa com decisões que dividiram a opinião pública americana por décadas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)