Montadora transforma antigo complexo industrial de 4,6 milhões de m² em fábrica de carros eletrificados com investimento de R$ 5,5 bilhões
O polo baiano já passou de 100 mil veículos produzidos e avança com novas etapas industriais para ampliar a fabricação local.
Uma área industrial de 4,6 milhões de m² voltou a produzir automóveis em Camaçari, na Bahia, após a saída da antiga ocupante do complexo. A fábrica BYD Camaçari começou com Dolphin Mini, King e Song Pro e avança para ampliar a produção e nacionalizar mais etapas.
O que mudou no antigo complexo industrial de Camaçari?
A BYD comprou do Governo da Bahia a área anteriormente utilizada pela Ford e iniciou uma nova configuração industrial no terreno. O complexo reúne 4,6 milhões de m², enquanto a primeira fase prevê 26 instalações entre galpões produtivos, pista de testes e estruturas de apoio.
Parte das antigas instalações foi destinada a fornecedores, enquanto novas áreas foram construídas para a operação da montadora. O projeto ocupa um dos polos industriais mais conhecidos de Camaçari e recoloca a produção de automóveis no local.

Quais carros começaram a sair da fábrica baiana?
A produção começou com três modelos eletrificados: BYD Dolphin Mini, totalmente elétrico, além dos híbridos plug-in BYD King e BYD Song Pro. A linha passou a abastecer concessionárias brasileiras após o início das operações em 2025.
O ritmo cresceu rapidamente. Em julho de 2026, a própria empresa registrava 100 mil carros produzidos em Camaçari, um salto em relação às quase 20 mil unidades acumuladas no começo daquele ano.
Os primeiros modelos mostram como a linha foi organizada:
A fabricação já é totalmente nacional?
Não. A operação começou pelo sistema SKD, no qual conjuntos de peças chegam parcialmente desmontados para montagem local. A estratégia da empresa prevê aumentar progressivamente o conteúdo produzido no Brasil à medida que novas áreas industriais entram em funcionamento.
Estamparia, soldagem e pintura fazem parte dessa transição para uma fabricação mais completa. A BYD também trabalha na ampliação da rede de fornecedores nacionais, reduzindo a dependência de componentes importados conforme a estrutura de Camaçari ganha novas etapas.
Quanto a BYD está investindo e qual capacidade pretende alcançar?
O investimento anunciado para essa fase do complexo é de R$ 5,5 bilhões. A capacidade inicial foi estabelecida em 150 mil veículos por ano, com uma segunda etapa originalmente planejada para elevar o volume a 300 mil unidades anuais.
Depois, a companhia anunciou a intenção de ampliar ainda mais o projeto e chegar a uma capacidade de até 600 mil veículos por ano. Essa meta depende da expansão física, de novos equipamentos e da nacionalização gradual do processo produtivo.
Quatro números resumem a escala anunciada:
Por que a ampliação envolve mais do que aumentar o número de carros?
O avanço da fábrica inclui contratação, fornecedores e novas etapas industriais. Em julho de 2026, a BYD informava ter alcançado 5,5 mil colaboradores e 100 mil veículos produzidos em Camaçari, indicando aumento simultâneo da equipe e do ritmo de montagem.
A nacionalização também muda a complexidade da operação. Passar de montagem de kits para processos como estamparia, soldagem e pintura exige mais equipamentos, integração logística e participação de empresas locais na cadeia de peças e serviços.
O que a fábrica representa para a estratégia da BYD no Brasil?
Camaçari passou a ser o principal núcleo industrial da marca para automóveis no país. A empresa também anunciou a produção do Song Plus no complexo e mantém a estratégia de regionalizar outros modelos conforme as obras e a cadeia de fornecedores avançam.
O plano industrial divulgado pela BYD prevê produção local mais completa e expansão de capacidade. O tamanho final da operação dependerá da execução dessas fases, mas a fábrica já transformou o antigo terreno automotivo em um novo polo de veículos eletrificados.
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