Mistério na Antártida do buraco de gelo que abre e fecha finalmente é resolvido
Nos últimos anos, tem-se observado na Antártida um fenômeno peculiar conhecido como polynya no Mar de Weddell.
Nos últimos anos, tem-se observado na Antártida um fenômeno peculiar conhecido como polynya no Mar de Weddell. Trata-se de uma abertura significativa no gelo marinho que, apesar das temperaturas extremamente baixas, aparece e desaparece sem um padrão previsível.
Este fenômeno intrigante chamou a atenção da comunidade científica, levando a diversas investigações para compreender suas causas e implicações.
A formação de polynyas foi registrada pela primeira vez na década de 1970. Especificamente durante o inverno de 1974, um notável buraco no gelo surgiu na plataforma de gelo do Mar de Weddell.
Esta abertura, que às vezes alcança dimensões maiores do que a Suíça, pode fechar e reabrir ciclicamente. No entanto, esta não é uma ocorrência anual ou regular, surgindo esporadicamente por longos períodos.
O que causa a formação das polynyas na Antártida?
Estudos recentes, utilizando tanto observações de satélite como monitoramentos no local, revelaram que a polynya, denominada ‘Maud Rise polynya’, surge devido a uma complexa interação entre fenômenos naturais.
Um desses fatores é a circulação oceânica na região, conhecida como Weddell Gyre, que provoca o fenômeno de upwelling, onde águas profundas mais quentes e salgadas sobem à superfície.
The Maud Rise polynya reappeared in late 2020, a large ice-free area surrounded by sea ice. Ocean dynamics over the submerged mountain-like feature for which it’s named, bring warmer water near the surface, preventing new ice formation. By Dec it merged with open ocean; pic @NASA pic.twitter.com/0p2Y3Rb8fd
— The Antarctic Report (@AntarcticReport) January 7, 2021
Essa água ascendente altera a salinidade e a temperatura da superfície, resultando na formação de uma abertura ou buraco no gelo.
Curiosamente, a infiltração de sal provoca uma diminuição do ponto de congelamento da água, permitindo que a água não congele mesmo em condições de frio extremo.
O fenômeno é ainda mais complexo devido ao transporte de Ekman, que desempenha um papel crucial ao deslocar águas e sais para cima da montanha subaquática Maud Rise.
Por que o estudo das polynyas é importante?
A análise das polynyas é essencial para entender seu papel no sistema climático global.
Estes buracos de gelo têm o potencial de impactar significativamente as correntes oceânicas, que são responsáveis por mover calor ao redor do planeta.
A circulação das correntes influencia não apenas o clima regional, mas pode ter efeitos em larga escala no clima global.
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Maud Rise Polynya 25 Sept 2017 https://t.co/VkUgCpbu8B pic.twitter.com/KYxf1Ssz6j
— Mark Brandon (@icey_mark) September 27, 2017
Qual é a relevância das polynyas para o ecossistema marítimo?
Além das implicações climáticas, as polynyas são importantes para o ecossistema local.
Áreas abertas de água no gelo marinho podem servir como habitats para diversas espécies marinhas, provendo áreas de respiração para mamíferos marinhos e pontos de alimentação para aves e outras formas de vida marinha.
A pesquisa contínua sobre as polynyas é, portanto, crucial não apenas para a compreensão climática, mas também para a conservação da biodiversidade nesta região remota e severa.
Desta forma, a investigação sobre a polynya de Maud Rise não só amplia a compreensão sobre as complexas interações no sistema climático da Terra, mas também oferece insights importantes para as previsões futuras sobre mudanças climáticas e sua influência no gelo marinho antártico.
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