Ministro da Colômbia confirma morte de um dos suspeitos de matar Uribe
Assassinato de Miguel Uribe é mais um ato de terrorismo político em meio às disputas entre o narcotráfico e o governo colombiano
Pedro Sánchez, ministro da Defesa da Colômbia, anunciou nesta segunda-feira a morte de Zarco Aldinever, número 2 da Segunda Marquetália (grupo dissidente das Farc), e suspeito de ser o autor do atentado que matou o pré-candidato à presidência, Miguel Uribe.
Aldinever foi assassinado em território venezuelano por rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN), em uma disputa por tráfico de drogas. Informações de inteligência conectam os autores do ataque a Uribe à Segunda Marquetália.
O ataque a Uribe
Miguel Uribe, de 39 anos, era um senador apontado favorito da direita para as eleições presidenciais de 2026. Ele estava internado em UTI e passou por múltiplas cirurgias desde o ataque a tiros ocorrido em 7 de junho, durante um evento de campanha em Bogotá. Seis indivíduos foram detidos pelo ataque, incluindo um atirador de 15 anos que disparou duas vezes contra a cabeça do político.
A inteligência colombiana estabeleceu uma conexão entre os perpetradores do assassinato e a Segunda Marquetália. Sánchez afirmou que “as conclusões da inteligência a que chegamos apontam para uma conexão muito importante entre os autores deste assassinato e (…) o cartel Segunda Marquetália”.
Uribe era um crítico veemente do presidente Gustavo Petro e da esquerda, opondo-se às negociações de paz com grupos guerrilheiros e às reformas sociais. Ele se apresentava como um político transparente e defendia uma postura firme contra o crime e o consumo de drogas.
Disputas internas e terrorismo político
A Segunda Marquetália é um grupo dissidente das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), liderado pelo ex-negociador Iván Márquez. A organização retomou as atividades armadas após a assinatura do acordo de paz de 2016, alegando que o Estado colombiano não cumpriu o combinado. Com cerca de 2.000 combatentes, o grupo é considerado um dos principais suspeitos no atentado contra Uribe.
Zarco Aldinever, cujo nome verdadeiro era José Manuel Sierra, integrou as Farc em 1990, aos 14 anos. Ele reapareceu em 2019, em vídeo, anunciando seu rearmamento com a Segunda Marquetália. Sierra era um membro relevante para os dissidentes envolvidos no tráfico de cocaína nos departamentos de Meta, Cundinamarca e Boyacá.
A morte de Uribe é mais um ato em um país historicamente afetado pelo terrorismo político. Entre 1980 e 1990, além de um caso em 1948, cinco candidatos à Presidência foram assassinados, geralmente com suspeita de envolvimento de cartéis do narcotráfico em aliança com políticos ou agentes estatais.
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