Minerando ‘ouro do diabo’, um dos trabalhos mais perigosos do mundo
A mineração de enxofre no vulcão Ijen, na Indonésia, é considerada um dos trabalhos mais arriscados do planeta:
A mineração de enxofre no vulcão Ijen, na Indonésia, é considerada um dos trabalhos mais arriscados do planeta: em plena encosta de um vulcão ativo, homens carregam blocos pesados de enxofre bruto, apelidado de “ouro do diabo”, cercados por gases tóxicos, calor intenso e terrenos íngremes, em jornadas cansativas que garantem apenas uma renda modesta para famílias com poucas alternativas de emprego formal.
O que é o “ouro do diabo” extraído no vulcão Ijen
O enxofre de Ijen é chamado de “ouro do diabo” pela cor amarela intensa e pelo valor econômico que gera em contraste com o risco extremo da coleta.
Ele se forma quando gases ricos em enxofre saem de fissuras na rocha, passam por dutos instalados no vulcão e se condensam em blocos sólidos, quebrados manualmente com ferramentas simples.
Embora cerca de 98% do enxofre mundial venha de processos industriais ligados ao petróleo e gás, a extração artesanal em Ijen persiste, conduzida por freelancers locais sem vínculo trabalhista robusto.
A atividade envolve esforço físico intenso, caminhadas íngremes e postura forçada, o que contribui para dores crônicas e desgaste precoce da saúde.
Fazendo mineração de enxofre no vulcão de Ijen, Java, Indonésia pic.twitter.com/bLS9Ungn5A
— Carlos Machado (@CarantoRbp) April 30, 2023
Como funciona a rotina diária da mineração de enxofre em Ijen
O trabalho começa de madrugada, quando as temperaturas são um pouco menores e o fluxo turístico é reduzido.
Os mineiros caminham até a borda da cratera, descem por trilhas estreitas e alcançam o lago azul-esverdeado, um dos mais ácidos do mundo, onde o enxofre derretido escorre por tubos e se solidifica em blocos amarelos.
Esses blocos são quebrados e empilhados em cestos de bambu que podem pesar entre 60 e 90 quilos por viagem.
Em sandálias simples, muitos repetem o trajeto duas ou três vezes por dia, percorrendo mais de 3 km por trecho, o que gera sobrecarga física e risco de acidentes em terrenos escorregadios e instáveis.
A mineração de enxofre em Ijen é um dos trabalhos mais perigosos do mundo
Estudos e reportagens internacionais descrevem a mineração de enxofre em Ijen como uma das ocupações mais perigosas do planeta.
A principal ameaça é a inalação de gases tóxicos, especialmente dióxido de enxofre, que irrita as vias respiratórias e pode causar danos pulmonares permanentes, perda de consciência e até mortes súbitas quando o vento muda.
Como máscaras profissionais são caras e escassas, muitos trabalhadores usam apenas panos úmidos, com proteção limitada.
Além dos gases, há riscos de queimaduras por contato com enxofre quente, quedas em encostas íngremes e doenças de longo prazo, como problemas respiratórios e musculoesqueléticos associados ao esforço repetitivo.
Para que serve o enxofre extraído como “ouro do diabo” na Indonésia
Após a coleta, o enxofre é levado a pequenos centros de processamento, onde é purificado e vendido a intermediários.
Embora represente uma fração pequena da produção global, ele tem importância econômica regional e é usado principalmente na fabricação de ácido sulfúrico para diferentes setores industriais.
Esse ácido sulfúrico originado do enxofre de Ijen é empregado em várias cadeias produtivas, contribuindo para bens que chegam ao consumidor final:
- Produção de fertilizantes utilizados na agricultura.
- Branqueamento de açúcar e processamento de alimentos.
- Tratamento e vulcanização de borracha.
- Indústria de baterias e outros insumos químicos.
Quais são os principais desafios para melhorar a segurança em Ijen
Entre os principais desafios estão ampliar o acesso a equipamentos de proteção individual, como máscaras com filtros adequados e óculos de segurança, além de melhorar as trilhas usadas pelos trabalhadores.
Também se discute limitar o peso máximo das cargas e oferecer acompanhamento de saúde periódica.
Organizações locais e pesquisadores destacam que qualquer mudança precisa considerar a dependência econômica das comunidades em relação à mineração e ao turismo, que inclui passeios noturnos para ver as “chamas azuis”.
O objetivo é tornar a atividade menos arriscada e mais sustentável, sem eliminar a principal fonte de renda de muitas famílias.
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