Militante de extrema-esquerda recebe pena de 100 anos nos EUA
Benjamin Song é condenado pela Justiça do Texas após ataque a centro de detenção de imigrantes em julho do ano passado
Um tribunal federal do Texas condenou o militante de extrema-esquerda Benjamin Song a 100 anos de prisão por sua participação em um ataque armado contra uma instalação de imigração no estado.
Segundo o NYT, a sentença proferida na terça-feira, 23, é a mais dura entre as aplicadas aos nove réus do processo e supera até as penas atribuídas aos envolvidos na invasão ao Capitólio dos Estados Unidos em 2021.
Condenações em série
Song, ex-integrante da reserva dos Fuzileiros Navais, foi apontado pela acusação como líder do grupo responsável pelo ataque ao Prairieland Detention Center, instalação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) localizada em Alvarado. O episódio ocorreu na noite de 4 de julho do ano passado, data em que o país comemora sua independência.
Além de Song, outros oito réus foram considerados culpados em março por participação no ataque. Seis deles, condenados por crimes de terrorismo, receberam penas que variam de 50 a 70 anos de prisão. Um sétimo réu, julgado por delitos de menor gravidade e que não estava no local no momento do protesto, foi sentenciado a 30 anos. O último acusado ainda aguarda definição de pena, prevista para o mês que vem.
As sentenças foram determinadas pelos juízes Mark T. Pittman, indicado por Donald Trump, e Reed O’Connor, nomeado por George W. Bush. Segundo a reportagem, os dois magistrados criticaram os réus por recorrerem à violência durante a manifestação.
Ataque e repercussão política
De acordo com a descrição dos promotores, cerca de doze pessoas vestidas de preto se dirigiram à unidade do ICE e iniciaram atos de vandalismo, incluindo pichações em uma guarita e em um veículo, além de danos a uma câmera de segurança. Parte do grupo também disparou fogos de artifício, em ação que classificaram como manifestação sonora dirigida aos detidos.
Song permaneceu a uma certa distância da instalação portando um rifle AR-15. Quando o tenente Thomas Gross, da Polícia de Alvarado, chegou ao local após receber um chamado de emergência, Song teria gritado “Peguem os rifles!” antes de abrir fogo. O policial foi atingido por um tiro próximo à clavícula e posteriormente recebeu alta hospitalar.
O caso ganha contornos políticos diante da postura da administração Trump em relação a grupos identificados com a Antifa.
Em setembro, o presidente assinou uma ordem executiva classificando o movimento como “organização terrorista doméstica”, categoria que não tem amparo formal na legislação americana. Ele também editou um memorando de segurança nacional ampliando a definição de terrorismo doméstico para incluir posicionamentos políticos como o anticapitalismo.
O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, comemorou publicamente as condenações. “As sentenças proferidas hoje deixam claro que terroristas da Antifa que atacarem agentes da lei e instalações federais enfrentarão uma Justiça rápida e inflexível”, declarou.
Familiares de réus contestaram a dureza das penas em frente ao tribunal. Lydia Koza, esposa da condenada Autumn Hill, afirmou que “diante dessa grotesca distorção de qualquer coisa que pudesse ser chamada de processo, estou indignada”.
Já Hope Song, mãe de Benjamin Song, descreveu o processo como fruto de uma narrativa fabricada pelo governo para perseguir pessoas inocentes.
Durante o julgamento, cinco testemunhas que colaboraram com a promotoria negaram, sob juramento, que integrassem formalmente o movimento Antifa, que não possui estrutura centralizada nem filiação oficial.
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