Milhares de turcos saem às ruas em protesto contra Erdogan
As manifestações antigovernamentais, as maiores em mais de uma década na Turquia, foram mobilizadas após prisão do prefeito de Istambul
Milhares de pessoas saíram às ruas neste sábado, 29, em manifestação contra o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e em apoio a Ekrem Imamoglu, prefeito de Istambul suspenso do cargo e preso na semana passada.
O Partido Social-Democrata CHP, maior legenda da oposição, convocou o protesto como forma de apoio a Imamoglu, candidato presidencial para as eleições de 2028, e considera que as acusações contra ele são um pretexto para barrá-lo da disputa.
As manifestações se concentraram no parque Maltepe, no lado asiático de Istambul.
Dilek Imamoglu, esposa do prefeito preso, e o presidente da câmara de Ancara, Mansur Yavas, discursaram no ato. O partido pró-curdo DEM, a terceira maior força no parlamento, também apoiou o protesto e incentivou seus seguidores a comparecerem.
Detenções nos protestos
A prisão preventiva de Imamoglu, no domingo passado, gerou grandes protestos em várias outras províncias turcas.
Em resposta, o regime de Erdogan deteve cerca de 1.900 pessoas por participarem das manifestações. Na quinta-feira, o jornalista Mark Lowen, correspondente da BBC, foi deportado da Turquia após ser preso em Istambul enquanto cobria os protestos. Lowen, que já foi correspondente em Istambul, havia sido detido por 17 horas e considerado “uma ameaça à ordem pública”.
Na terça-feira, 25, o governo havia determinado a prisão provisória de sete jornalistas turcos acusados de participar de manifestações ilegais, incluindo Yasin Akgul, da AFP. Um tribunal turco libertou Akgul e os outros seis jornalistas detidos, todos locais.
Centenas de outras pessoas foram presas durante as maiores manifestações antigovernamentais em mais de uma década na Turquia. Erdogan tem tentado minimizar os protestos, fazendo ameaças para as consequências legais para os manifestantes, enquanto o Partido Popular Republicano (CHP), de Imamoglu, pede que as manifestações continuem.
A oposição, países ocidentais e grupos de direitos humanos acusam o governo de usar o caso contra Imamoglu como uma manobra politizada para eliminar uma ameaça eleitoral a Erdogan.
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Comentários (2)
Marian
29.03.2025 19:42Vinte anos no p0der e o líder do p@rtido justiça e desenvolvimento, não quer sair . Seus 0ponentes são inviabilizados né? O povo deve ter o direito de se manifestar. Aqui também temos grandes mobiliz@ções , por motivos variados, como a última no Rio, com cerca de 400 mil participantes segundo a Políci@ Milit@r .
FRANCISCO JUNIOR
29.03.2025 17:55Se no ato de Copacabana havia 400 mil pessoas, pela mesma contagem essa manifestação na Turquia deve ter 40 milhões, metade da população da Turquia.